Um mês do Meio Ambiente repleto de duras notícias gera reação social aos desafios


Publicado em 21/06 às 16h

Por Susana Prizendt        

Mais um Dia do Meio Ambiente se foi. A data, o dia 5 de junho, é sempre um momento em que há um estímulo às reflexões sobre o modo como nossa sociedade está se relacionando com o planeta que habitamos.

Após anos de negociação entre os vários países que compõem o globo terrestre, o Acordo de Paris foi estabelecido para tentar reverter o grave quadro de degradação ambiental que vivenciamos. Porém, com uma guinada política em direção a governos mais alinhados com os interesses do poder econômico neoliberal, nossa civilização está ameaçada por retrocessos seríssimos que podem prejudicar o caminho em direção ao equilíbrio planetário.

Sob o governo negacionista de Donald Trump, os Estados Unidos, maior poluidor global, rompeu o compromisso de participar do Acordo de Paris. O impacto que essa decisão insensata causará ainda não foi mensurado, mas já alarmou todos que lutam por mais harmonia com a natureza.

Aqui no Brasil, outro país que tem importância vital para a preservação das condições de vida humana na Terra, um levantamento do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas revela que, em cerca de 20 anos, as regiões Sul, Sudeste e Nordeste sofreram desastres ambientais que geraram um prejuízo estimado em mais de 180 bilhões de reais.

Atualmente, estamos colecionando os assaltos (promovidos por um governo que não foi eleito pela população) aos nossos direitos básicos, ameaçando o que tão arduamente conquistamos em relação à proteção de nossos recursos naturais e à garantia de alguma qualidade de vida.

Medidas provisórias, como a MP 756/2016 e a MP 758/2016, foram aprovadas e permitiram que mais de 600 mil hectares fossem extraídos de áreas de conservação no país, a grande maioria na Amazônia. O programa de reforma agrária e os territórios indígenas também estão no alvo dessa investida destruidora; o próprio Plano Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima nem começou a ser implantado, mesmo com sua urgência sendo demonstrada pelos inúmeros estudos científicos contendo os impactos que nosso território está sofrendo com os desequilíbrios climáticos.

Ao mesmo tempo em que as medidas governamentais contra os trabalhadores provocam a maior queda nos níveis de emprego dos últimos 25 anos, os índices de desmatamento voltam a disparar em nosso país, revelando que estamos indo em direção a um caminho suicida.

Um outro setor que ameaça desandar é o da regulação dos agrotóxicos. A seção “Cuidado:Veneno!”  desta edição descreve o cenário sobre o tema. A Audiência Pública sobre os danos causados por essas substâncias, a ser realizada na Alesp no dia 27/6 vai aprofundar o debate!

O mês do meio ambiente ainda não terminou e precisamos reagir frente ao triste quadro que se apresenta aos nossos olhos. Um conjunto de organizações sociais formulou um Plano Popular de Emergência para orientar à mobilização da sociedade, em busca de medidas que protejam nossa cidadania e nosso futuro. Empregos saudáveis e regeneração ambiental são os dois pilares da agroecologia. Que ela cresça, renovando as nossas esperanças para o futuro!



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