Aumento do cultivo de transgênicos no Brasil revela que virá mais veneno no país


Publicado em 25/05 às 11h

Por Benjamin Prizendt        C. P. C. A. P. V

O país registrou, em 2016, expansão de 11% na área cultivada com sementes transgênicas. Para efeito de comparação, a expansão mundial não ultrapassou os 3%. Atingimos 49 milhões de hectares plantados com transgênicos (mais que a metade dos EUA, com 73 milhões de hectares e um valor significativo em relação à cifra mundial de 185 milhões de hectares).

É inegável a euforia do mercado de sementes geneticamente modificadas, registrando um movimento de US $ 15,8 bilhões, mais de um terço das vendas totais de sementes comerciais. Essa euforia certamente não leva em consideração o quadro geral de quem realmente lucra com os OGMs. A transgenia segue os mesmos pressupostos da chamada revolução verde, ou seja: grandes extensões de monoculturas e, agora, com o patenteamento das sementes, detido por um número menor de empresas, maior concentração de renda. Existe, também, oligopólio da venda de sementes com poucas empresas multinacionais adquirindo empresas menores e reduzindo a biodiversidade e a oferta de sementes não transgênicas.

Os agricultores ficam totalmente reféns de um pacote tecnológico que inclui sementes transgênicas e agrotóxicos aos quais elas foram produzidas para resistir (por exemplo, soja Roundup Ready da Monsanto– soja resistente ao agrotóxico roundup da própria Monsanto, à base de glifosato). Trata-se de uma venda casada e sujeita a um controle que tira a independência desses agricultores: não podem separar sementes de uma safra para outra e, além disso, existe o risco de outros cultivos serem contaminados pelas sementes transgênicas e seus proprietários serem cobrados em termos dos royalties pelas multinacionais das sementes geneticamente modificadas!

A alegação, pelos defensores da transgenia, das vantagens de maior tolerância a herbicidas e a proteção das safras, escondem o fato de que, agora, os cultivares podem suportar uma maior quantidade de agrotóxicos. E o argumento da proteção das safras, oculta os mecanismos pelos quais os agrotóxicos persistem no meio ambiente e deixam um rastro de destruição. A contaminação do meio ambiente em geral, ar, solo e água estende-se a toda biota, sendo causa direta da diminuição do número de abelhas e outros insetos polinizadores, de cujo serviço ambiental não podemos prescindir.

O próprio glifosato está entre os cinco ingredientes ativos apontados, em março de 2015, pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), como prováveis agentes carcinogênicos para humanos.

 

 

 



ASSINE NOSSA NEWSLETTER E RECEBA PROMOÇÕES E CONTEÚDOS EXCLUSIVOS