Da Europa ao Ceará, passando pelo carnaval do Rio, um coro pela agroecologia!


Publicado em 17/02 às 09h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

No mundo todo, há cada vez mais comprovações de que somente uma mudança profunda no modo como os seres humanos se relacionam entre si e com a natureza poderá garantir a superação da crise avassaladora em que nossa civilização se encontra.

E, dentro desse processo de transformação, a busca de um sistema agroalimentar baseado na ecologia e na justiça social é um dos fatores essenciais, já que impacta intensamente a economia e os ecossistemas.

Um relatório consistente, demonstrando os impactos positivos que o consumo de alimentos orgânicos traz para a saúde pública, foi divulgado pelo Parlamento Europeu no final do ano de 2016. Trata-se de um documento baseado na análise de mais de 300 estudos sobre a produção de alimentos, uso de agroquímicos e antibióticos, intoxicações e comportamentos de consumo alimentar.

Além de deixar claro que a agricultura orgânica, por ser livre de substâncias tóxicas, traz melhorias sensíveis à qualidade de vida das populações, o documento também apresenta diretrizes para a adoção de políticas públicas favoráveis à expansão do sistema agroecológico, sugerindo cinco principais percursos a serem seguidos pelos governos europeus.

Se na Europa, um território em que a agricultura orgânica já se encontra mais desenvolvida e o combate mais estruturado aos agrotóxicos, existe a necessidade de agir para transformar o modelo produtivo monocultor envenenado, que ainda predomina no Brasil, país recordista no consumo de pesticidas e no qual o cultivo orgânico é reduzido a menos de 1% das terras agrícolas, temos uma urgência muito mais acentuada em mudanças.

A Carta de Fortaleza, documento resultante do encontro da Coordenação Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, realizado em 27 de janeiro, apresenta claramente os motivos pelos quais todos nós devemos agir para que nosso país dê uma guinada na maneira como estrutura sua política alimentar.

Para conquistarmos um equilíbrio social, econômico e ambiental, capaz de proporcionar uma vida digna, solidária e em sintonia com a natureza para todos os brasileiros, é necessário que façamos uma reforma agrária de base agroecológica e busquemos a soberania agroalimentar de nosso povo, hoje tão ameaçada pelo modelo de exploração propagado pelo capital internacional.

Juntos, unidos em um percurso pela vida plena, podemos dar os passos para construir uma sociedade realmente democrática, sustentável e capaz de superar os desafios civilizatórios que a atual situação do país e do planeta nos apresenta.

Como irá cantar a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense nesse carnaval: A esperança, A semente do amanhã, O clamor da natureza a nossa voz vai ecoar.



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