Mais pesquisas sobre os dados da agricultura orgânica no Estado de São Paulo


Publicado em 06/01 às 16h

Por Benjamin Prizendt     

O Instituto de Economia Agrícola, da Secretaria Estadual da Agricultura de São Paulo, divulgou no último dia 6, a ampliação de sua linha de pesquisas em 2017, para oferecer “às empresas, consultorias e à sociedade um acompanhamento periódico de preços da produção de orgânicos e estatísticas da agricultura familiar”.

Trata-se de iniciativa louvável, ainda mais em se tratando de uma instituição que completou 74 anos de existência em 2016. Comprometeu-se, também, a realizar 16 encontros que possibilitarão à sociedade debater temas com especialistas.

Ambas as iniciativas revestem-se de grande importância, quando assistimos à situação atual de desmonte de nossos institutos pelo governo Alckmin, com a entrega de institutos de pesquisa às iniciativas privadas (oculta sob o eufemismo de “garantir autonomia aos institutos de pesquisa na busca de recursos e parcerias com o setor privado”). 

Sabemos que nem sempre os interesses do setor privado estão alinhados com as demandas de amplos setores da sociedade e, logicamente, defendem seus interesses comerciais e financeiros em todas as ocasiões em que se manifestam. Assim, temos que nos mantermos vigilantes e exercer nossa pressão, enquanto cidadãos, para garantir que haja coerência entre o que se divulga e o que realmente é realizado na prática.

A agricultura orgânica é, sabidamente, de baixo impacto ambiental preservando solo, água e a saúde tanto dos seus produtores, como dos consumidores de seus produtos. Enquanto isso, o maior aporte de recursos por parte dos governos é encaminhado ao agronegócio, comprometido com a monocultura, a produção de grãos e sua exportação como commodities, além do rastro de doenças causadas pelo uso intensivo de agrotóxicos.

Dessa forma, para reequilibrar essa equação, torna-se necessário de um lado, fazer com que a agricultura convencional pague pelos prejuízos que causa ao meio ambiente e ao ser humano e que esses valores arrecadados sejam utilizados para incentivar, cada vez mais, o crescimento da agricultura orgânica, para disponibilizar seus produtos à população em geral.

 

Referência:

3: FSP 15 de jan de 2017 artigo “Última da lista” de Reinaldo José Lopes- “Por decisão da Assembleia Legislativa estadual, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) perderá R$ 10 milhões de seu orçamento anual (hoje na casa de R$ 1 bilhão). O dinheiro será destinado a institutos de pesquisa estaduais, mas os cientistas paulistas argumentam que o remanejamento viola a Constituição do Estado, segundo a qual 1 % da receita tributária deve ser destinada à Fapesp sem mais delongas. Faz sentido pensar que o precedente é perigoso porque a Fapesp é o órgão estadual do país com atuação mais consistente na área e o único com tradição de independência em relação aos humores do Executivo”. https://www.pressreader.com/brazil/folha-de-spaulo/20170115/282106341335839



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