Março traz reflexões fundamentais para criarmos um novo caminho de desenvolvimento social


Publicado em 27/03 às 11h

Por Susana Prizendt - C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

 

 Mulheres e Água: estes são os temas que, geralmente, têm destaque no mês de março, já que o dia internacional das mulheres e o dia internacional da água são celebrados, respectivamente, em 8 e 22 desse mês. Ambas as datas costumam promover mobilizações importantes, para reforçar a necessidade de transformarmos o modo como estamos lidando, em nossa civilização, com as questões sociais e ambientais.

Mas, mesmo com ações e debates sendo realizados no decorrer do mês, ainda não houve muita atenção aos laços que unem as duas datas e como tornar esses laços mais harmônicos.

Se, por um lado, as mulheres ainda são alvo de discriminação em vários setores sociais – o que as deixa em uma posição econômica mais frágil em relação aos homens, enfrentando uma dificuldade maior para ter acesso aos recursos naturais, entre eles, a água – por outro lado, o trabalho feminino na agricultura e na ciência tem sido fundamental para o estudo, a preservação e a restauração do meio ambiente, incluindo o setor dos recursos hídricos.

Seja colocando as mãos na terra, como fazem as mulheres da Via Campesina pelo mundo, seja mergulhando em pesquisas científicas, como pesquisadoras de universidades e institutos públicos vêm fazendo, de maneira a revelar os duros impactos das ações humanas na natureza e como é possível mitigá-los; a atuação feminina tem sido um agente vital no desenvolvimento de nossa coletividade e se constitui, muitas vezes, como instrumento de resistência à imposição de um modelo civilizatório baseado na cruel exploração dos seres humanos e da natureza.

Mas, como já está sendo veiculado em todos os canais de informação, este mês de março trouxe um outro tema urgente para ser seriamente debatido em nossa sociedade. A Organização Mundial de Saúde reconheceu que vivemos em um momento de pandemia, com o COVID19, um novo tipo de coronavírus, contagiando milhares de pessoas em todo o globo e gerando impactos dramáticos em alguns países, sobretudo no modo como afeta idosos e portadores de doenças respiratórias.

Desse modo, às lutas pelos direitos das mulheres e pelo acesso a uma água livre de contaminações, somamos, agora, uma ampla luta pela saúde.

O surto mundial do COVID19 agravou os problemas que a humanidade já vinha enfrentando, deixando ainda mais claro a constatação de que precisamos recriar a maneira como estamos vivendo no planeta e agirmos vigorosamente para reduzir as desigualdades financeiras, sejam elas relativas às questões de gênero, de etnia, de classe social ou de outra natureza.

É urgentemente necessário que os seres humanos desenvolvam relações mais solidárias entre os integrantes de um mesmo grupo social, entre integrantes de grupos sociais diferentes e em relação a todos os seres vivos que compõem a natureza.

Cuidar dos direitos das mulheres, cuidar dos recursos hídricos, cuidar de nossa Mãe Terra... São passos essenciais para cuidarmos da saúde planetária, construindo uma civilização mais justa, mais fraterna e mais resiliente em relação aos grandes desafios, como o que agora se apresenta, com a pandemia provocada pelo COVID19.

 

Vamos seguir em sintonia nesse fundamental caminho de transformação!