Novas iniciativas estão surgindo para ampliar o acesso aos conhecimentos no setor alimentar!


Publicado em 28/10 às 11h

Por Susana Prizendt - C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Estamos nos aproximando de 2020. Temos pouco mais de dois meses de atividades até a virada da década. Agora é outubro, mês em que é celebrado o dia mundial da alimentação, definido como sendo o dia 16, desde 1979, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Mas, infelizmente, em plena aproximação do começo da segunda década do século XXI, ainda não conseguimos conquistar uma sociedade satisfatoriamente bem alimentada. Pelo contrário, a fome e as doenças decorrentes de dietas baseadas em produtos não saudáveis têm se ampliado no mundo.

O domínio da produção agroalimentar e o domínio das informações sobre o tema do alimento, que circulam nos quatro cantos no planeta, são constituídos por um conjunto de megaempresas transnacionais, por meio de um sistema em que o acesso ao que é consumido pela população visa, prioritariamente, o lucro dos acionistas de tais empresas.

Assim como uma grande parcela dos seres humanos do planeta não tem acesso aos alimentos necessários para uma nutrição saudável e adequada, podemos considerar que ela também é fortemente privada do acesso a um conjunto de informações confiáveis a respeito do que é produzido e ofertado no setor alimentar.

Fome de nutrientes, fome de conhecimentos... a humanidade tem sofrido de uma carência crônica dos ingredientes fundamentais para que possa escolher, com consciência e com condições financeiras adequadas, o que insere em suas refeições.

Desse modo, podemos afirmar que a luta contra a fome, que afeta os organismos dos seres humanos de todo o planeta, também é a luta contra a falta de saberes básicos sobre o universo agroalimentar, sendo ambas as carências perpetuadas pelo controle de organizações privadas sobre os dois setores.

Mas, em meio aos desafios crescentes que despontam nas áreas da segurança e da soberania alimentar, intensificados com a atuação desastrosa dos governos de nosso país e de outras nações em que há predomínio do neoliberalismo, também existem boas novidades!

Outubro nos trouxe, já em sua primeira semana, o lançamento de um site que abriga o acervo da grande pioneira da pesquisa agroecológica no Brasil, Dra. Ana Maria Primavesi. A data escolhida para lançar essa iniciativa, o dia 3, é a data de aniversário da pesquisadora, que esse ano completou 99 anos de vida, e que, em homenagem a ela, foi definida como o dia nacional da agroecologia.

O site contém informações sobre a trajetória de vida dessa mulher desbravadora, que enfrentou o machismo no mundo agrícola e a pressão do poder econômico, no período em que a Revolução Verde pregava o uso de agrovenenos, fertilizantes químicos a base de petróleo e mecanização na lavoura, incentivando a monocultura em grandes propriedades rurais. Traz artigos, vídeos, homenagens e muitos materiais inspiradores que Ana Primavesi foi produzindo ou recebendo, ao longo de tantas décadas de trabalho dedicado.

Em conjunto com a cerimônia do lançamento do site, no Auditório Paulinho Nogueira, no Parque da Água Branca, houve uma celebração para oficializar a criação do Instituto Brasil Orgânico, iniciativa que visa reunir a comunidade que atua e apoia o setor, de modo a fomentar seu desenvolvimento no país.

São duas conquistas para a democratização dos conhecimentos na área agroecológica e deverão dar bons frutos nos próximos meses.

Para completar esse movimento de ampliação de saberes e energias na luta em prol de uma sociedade melhor nutrida e mais ecológica, as agências de jornalismo “De Olho Nos Ruralistas” e “O Joio e o Trigo” uniram-se na criação da plataforma Brasil Sem Veneno, visando realizar uma cobertura inédita — e multimídia — sobre os venenos e as alternativas ao seu modelo.

Com o subtítulo “dos agrotóxicos à agroecologia”, o projeto Brasil sem Veneno será composto por vídeos, fotos, elaboração de livro e reportagens aprofundadas sobre os impactos dos agrovenenos na saúde e no ambiente.

Apoiado por organizações ativistas, como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o Slow Food Brasil, o MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores e o MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o projeto inclui uma campanha de arrecadação financeira, via vaquinha virtual, através de assinaturas de seus informativos.

É essencial que nossa sociedade conte com fontes confiáveis de informações sobre os alimentos que consome, compreendendo toda a estrutura que gera esses alimentos, desde seu cultivo até que chegue em nossas mesas, passando pelas políticas públicas que fomentam essa produção.

Para isso, nós, editores do boletim Nutrindo a Mudança, recomendamos a todas as pessoas de nossa rede que colaborem com as iniciativas que o mês de outubro nos trouxe. Apoie a plataforma Brasil sem Veneno, entre no site da vaquinha virtual e seja parte ativa da construção de um país melhor informado e melhor nutrido, em busca da superação dos desafios que o planeta enfrenta para garantir um futuro sustentável para a civilização humana.