Um alerta da Terra aos seres humanos e um chamado para uma mobilização solidária pela Vida


Publicado em 19/08 às 10h

Por Susana Prizendt - C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Ultimamente o Brasil tem sido destaque na imprensa internacional, devido à atuação alarmante que nosso atual governo tem adotado no setor do meio ambiente. Enquanto o poder executivo brasileiro, aliado às poderosas empresas transnacionais, que almejam explorar nossos preciosos recursos naturais, promove um desmonte dramático da legislação, dos programas e da estrutura das instâncias referentes à proteção da natureza, o planeta Terra amplia seu grito de socorro, alertando a humanidade que está sofrendo danos cada vez mais profundos.

Em apenas 7 meses, a humanidade atingiu o limite sustentável dos recursos planetários a serem utilizados em um ano. Isso significa que nossos próximos 5 meses serão vividos através da utilização de recursos, como água, matéria vegetal, animal e mineral e energia, que não podem ser repostos pela natureza, lesando seus ecossistemas e desequilibrando gravemente sua já fragilizada estrutura.

O Dia da Sobrecarga Da Terra, como é denominada a data em que consumimos todos os recursos que poderíamos consumir em um ano, vem ocorrendo cada vez mais cedo e, este ano, foi registrado em 31 de julho, batendo um novo recorde.

Além desse grito de alerta, há um conjunto de estudos, internacionalmente realizados e divulgados, que aponta que nosso modelo civilizatório, baseado no consumo excessivo dos bens da natureza, é um modelo suicida, que abala o planeta de modo a ameaçar a sobrevivência de nossa espécie num futuro próximo.

Segundo um novo relatório especial, realizado pelo IPCC, o painel do clima da ONU, as áreas florestais, de cultivo de alimentos, de criação de animais e de produção de biocombustíveis deverão, cada vez mais, entrar em disputa por espaço, devido ao aquecimento global e suas consequências nos territórios ao redor do planeta.

O setor agroalimentar tem um impacto profundo na estrutura ambiental da Terra e já há provas suficientes de que precisamos modificar a sua base produtiva, para evitar consequências drásticas, como a perda da biodiversidade, o aumento ainda maior da temperatura do planeta e a quebra das lavouras, o que ampliaria a fome no mundo.

A intensificação dos desmatamentos na Amazônia e no Cerrado brasileiros, que vem ocorrendo depois que Bolsonaro se tornou presidente, somada às paralizações das políticas que fomentam a agricultura familiar e a transição agroecológica, colocam nosso país em uma situação cada vez mais vulnerável, estimulando os desequilíbrios sociais internos e comprometendo internacionalmente nossas relações comerciais.

Mas há muitas iniciativas promovendo o debate e a resistência no território nacional e o mês de agosto trouxe importantes mobilizações. As marchas das mulheres campesinas e das mulheres indígenas, realizadas em diálogo solidário, a união de sindicatos e estudantes nos protestos contra os cortes na educação e contra a reforma previdenciária e a soma de forças dos movimentos do campo e da cidade para a realização de um festival pela Feira da Reforma Agrária são exemplos de que há caminhos alternativos ao percurso suicida que o modelo econômico atual tem promovido.

É preciso, cada vez mais, seguir em busca dessa sinergia entre todas as pessoas, que lutam por um país e um planeta em que a espécie humana não seja um fator de destruição das condições naturais garantidoras de sua própria sobrevivência.



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