Uma nova relação entre a ciência e a espiritualidade está brotando para integrar nossos saberes


Publicado em 17/07 às 16h

Por Conceição Trucom – DoceLimão

O tema foi discutido em Paraty, numa reunião com a presença de cientistas espiritualizados e um editor, para refletir e esclarecer o paradoxo e a convergência entre ciência e espiritualidade.

A CONVERGÊNCIA

Cientistas, entre eles, o físico indiano Amit Goswami, privilegiam a consciência como criadora do mundo material e não a matéria como elemento formador da criação. Ao invés disso, afirmam que o universo surge a partir da Consciência, do transcendental, fora do espaço-tempo, não local e onipresente. Os físicos explicam os fenômenos, mas a Consciência Cósmica Universal não é um fenômeno. Está além de todos os fenômenos e dela emanam todos os fenômenos.

Hoje, há uma teoria científica bem fundamentada sobre Deus e a espiritualidade, com base na Física Quântica e no primado da Consciência. E existem dados experimentais, replicando essa teoria. Há agora, uma ciência viável da espiritualidade, isto é, uma mudança de paradigma e superação da atual visão de modo que estimula a materialidade.

O físico brasileiro, Marcelo Gleiser, recebeu em 2019 o prêmio Templeton, do diálogo entre Ciência e Espiritualidade, que já premiou religiosos como Dalai Lama e Madre Tereza de Calcutá. Gleiser vê a Ciência como uma manifestação do esforço humano em se engajar com o mistério da existência, o que acontece também com a religião. As respostas científicas são válidas apenas em um âmbito teórico. Para ele, “devemos ter a humildade para aceitar que estamos cercados de mistério. Por exemplo, a questão do livre-arbítrio”. Há cientistas neurocognitivos e até físicos trabalhando nisso, mas há também filósofos e teólogos. Daí conclui-se que há uma complementariedade no saber; tanto a Ciência quanto as Humanidades podem aprender umas com as outras.

A Ciência não consegue “desprovar” a existência de algo; ela só é capaz de comprovar a existência. Podemos ver em afirmações como “Deus não existe” como um ato de fé, pois não há nenhuma evidência que apoie essa convicção. O que é fé? A fé existe, quando há evidências, mas não evidências científicas. É preciso entender que há diferenças fundamentais entre a metodologia científica e a fé religiosa.

Há, entretanto, uma opção: não existe um designer cósmico, nem somos uma raridade estatística dentro do multiverso, mas simplesmente somos seres humanos limitados, que vivemos cercados pelo mistério, e nesse mesmo mistério, buscamos entender o que está acontecendo da melhor forma possível.

Edição do texto: Ana Maria Salomão Prizendt