Uma década de mobilização pela agricultura familiar em apoio aos povos campesinos do mundo


Publicado em 17/07 às 16h

Por Susana Prizendt - C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

No Brasil e no mundo todo, os cultivos agrícolas sempre foram realizados pelas famílias de diferentes povos e regiões que alimentaram a população do planeta, desde que os seres humanos desenvolveram a agricultura.

As práticas de manejo e os saberes do campo foram sendo transmitidos através das gerações, ao longo de nossa trajetória agrícola, sempre em busca de melhores colheitas. Cada região do globo terrestre foi sendo cultivada pelos povos que a habitam, de acordo com suas características ambientais, gerando uma diversidade imensa de paisagens e de tradições culturais, ligadas aos ciclos dos alimentos e à própria vida nos vários biomas do planeta.

Atualmente, mesmo com o avanço global das imensas monoculturas que se estendem sobre nosso fértil território, reduzindo as espécies cultivadas às poucas variedades de commodities, que uniformizam e empobrecem as diferentes regiões do mundo, o Brasil ainda tem sua população alimentada pelas colheitas realizadas pelos agricultores familiares.

Mas, se essas famílias camponesas brasileiras seguem resistindo às investidas do grande capital internacional, que move o agronegócio, é porque suas raízes com a terra que habitam e que cultivam são profundas, pois as ameaças à sobrevivência de suas roças são cada vez mais intensas!

Conviver com os aviões de veneno, nas fazendas que cercam as pequenas propriedades agrícolas, é uma tarefa cada vez mais árdua para os camponeses familiares no Brasil e, em 2019, esse trágico cenário tende a se agravar.

Desde que assumiu o país, o atual governo federal bateu todos os recordes na liberação de novos agrotóxicos, ignorando os inúmeros danos ambientais e sociais que o uso dessas substâncias venenosas provoca, e favorecendo as grandes empresas transnacionais que dominam o setor. Além disso, intensificaram-se os processos de desestruturação de assentamentos, aldeias indígenas e comunidades quilombolas, seja pela perseguição judicial, seja pela incitação à violência no campo, ou mesmo pelos cortes orçamentários aos programas que atendem essas populações e suas práticas de cultivo.

Há pouco tempo, entramos na Década da Agricultura Familiar, período definido pela ONU, que irá abranger os próximos anos, até 2028, de modo a buscar a valorização do trabalho das famílias campesinas do mundo todo. Mas, nosso país parece estar na contramão dessa mobilização global, já que o domínio dos representantes do agronegócio sobre as nossas políticas públicas é crescente.

O atual Ministério do Meio Ambiente está promovendo um verdadeiro desmonte na estrutura que sustenta a proteção dos nossos ecossistemas, submetendo suas decisões às demandas da ganância ruralista, sempre em busca de novas terras e recursos naturais para explorar.

Com a degradação ambiental, e o consequente desequilíbrio que ela provoca nos territórios, o cultivo nas pequenas lavouras familiares torna-se cada vez mais difícil, estimulando o êxodo rural e a concentração fundiária.

Da mesma forma, a paralisação das ações pró-reforma agrária, com a criminalização dos movimentos que a defendem, impede que milhões de famílias, ávidas por ter seu pedaço de chão para cultivar, tenham acesso à terra e contribuam para a produção da comida que alimenta nosso povo.

Mas há uma mobilização por parte da sociedade para resistir aos desmandos promovidos pelos atuais governantes e nós, editores do boletim Nutrindo a Mudança, estamos acompanhando todos os passos em busca de um sistema ecológico, justo, saudável e solidário de cultivo dos alimentos para nutrir nossa população e convidamos você para fazer parte dessa caminhada pela Vida.

Venha ao debate que realizaremos no dia 25 de julho, junto com os parceiros do site De Olho nos Ruralistas, para refletir sobre o cenário do país e construir conosco um caminho de ações rumo à real valorização da agricultura das famílias campesinas. Queremos comida com justiça social e respeito à Mãe Terra, livre de venenos e violência!



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