De Paris à Guararema, vamos combater o aquecimento global com a agroecologia


Publicado em 22/11 às 12h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Em um momento histórico, em que o equilíbrio ambiental planetário dá sinais cada vez mais intensos de que está em risco, o início da execução do plano para o combate às alterações climáticas, elaborado em Paris no fim de 2015, é uma notícia a ser comemorada.

No entanto, essa medida está longe de garantir as transformações necessárias para que os seres humanos possam viver em um mundo minimamente harmônico. É preciso urgentemente que restauremos nossos ecossistemas e busquemos um novo modo de estruturar nossas sociedades, no intuito de atingirmos um sistema econômico mais justo e sustentável. No Brasil, país riquíssimo em recursos naturais e biodiversidade, o caminho para que possamos contribuir com os objetivos aqui citados, só poderá ser trilhado com o estabelecimento de uma produção agrícola em que os pilares sejam a agroecologia e a economia solidária.

Somente a reforma agrária e a reconexão dos camponeses com os ciclos da terra, atualmente freados pelos poderes político-econômicos que controlam os mercados internacionais, é que nos possibilitarão a conquista de um novo equilíbrio, garantindo que a atual crise social, econômica e ambiental possa ser superada.

É nesse contexto que a Escola Nacional Florestan Fernandes revela-se um local estratégico, formando lideranças capazes de atuar com uma visão integrada e generosa rumo aos nossos passos futuros.

Trata-se de um local projetado para abrigar pessoas do mundo todo em vivências que unem teoria e prática, em um sítio que pertence ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em Guararema, SP. Basta uma visita à escola para perceber seu pioneirismo e sua importância social. Um exemplo a ser multiplicado, jamais ameaçado.

Nós, movimentos sociais agroecológicos, manifestamos todo nosso apoio aos seus integrantes e aos princípios que regem suas ações e repudiamos as tentativas de criminalizar ou intimidar, que os setores políticos, atualmente dominantes em nosso país, estão executando.

A própria Anistia Internacional condenou os ataques que a escola sofreu no dia 4/11 e divulgou uma nota em que diz:"O Brasil vive ainda uma estrutura agrária, onde a violência contra trabalhadores rurais e a criminalização dos movimentos sociais colocam em risco direitos fundamentais no campo. Isto é um precedente perigoso para o Estado Democrático de Direito. Todos perdem neste cenário”

Enquanto nosso ministro de agricultura declara, de modo irresponsável, na COP 22, que os conflitos fundiários no Brasil se devem somente a “problemas locais de relacionamento” , nossa sociedade amarga a maior parte das mortes de ambientalistas que ocorreram no mundo em 2016!

Queremos respeito aos trabalhadores rurais e aos educadores agroecológicos... só assim teremos chance contra os males do aquecimento global, provocado pela sociedade de consumo injusta em que vivemos.

Vida longa à Florestan Fernandes, que ela siga nos inspirando rumo a um planeta saudável!



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