Comunidade que Sustenta a Agricultura no Brasil promovendo resistência e resiliência


Publicado em 21/05 às 16h

Por Ariel de Andrade Molina - CSA Brasil

Em tempos de grandes mudanças políticas e econômicas, como as que estamos presenciando no país, é no âmbito local que temos a possibilidade de construir, individualmente e em comunidade, um modo de equilibrar aquilo que é oferecido com o que é demandado no setor agroalimentar.

Em tempos da maior liberação histórica e em série de agrotóxicos com alto potencial cancerígeno no Brasil, todos nós sofremos com os danos à saúde e ao meio ambiente, seja por lidar com eles no campo, seja consumindo-os na forma de resíduos nos alimentos. E é na segurança e soberania alimentar, promovida dentro de uma CSA, que sabemos onde, como e por quem nossos alimentos são cultivados, que temos a opção e a oportunidade de dizer não ao veneno no prato.

Em tempos de abertura da economia, as CSA permitem a valorização do que é local e do que é regional, saindo da cultura clientelista de compra e venda, oferta e demanda, e caminhando cada vez mais para a cultura do apreço.

Em tempos em que se cortam os investimentos financeiros aos agricultores familiares, despindo qualquer expectativa de sobrevivência com o trabalho na terra daqueles que colocam alimentos na mesa dos brasileiros, as CSA permitem que os agricultores sejam financiados direta e antecipadamente pelos CoAgricultores, que já não são mais meros consumidores e participam ativamente do processo, desde a escolha em formar uma Comunidade que Sustenta a Agricultura até o recebimento das cestas semanais.

Em tempos de anistia, indução e permissividade ao desmatamento e à destruição ambiental, a aproximação da sociedade em relação aos povos da floresta, para obtenção direta de produção oriunda do extrativismo, pode contribuir para proteger nossas riquezas naturais, como na Amazônia, por exemplo, levando o movimento CSA à uma forma de economia que dê espaço à proximidade espacial e à proximidade estendida. Ao contribuir diretamente com esses protagonistas da manutenção da floresta em pé, os povos originários, verdadeiros conhecedores da biodiversidade, preservamos também toda a cultura nativa e conhecimentos tradicionais que são ancestrais.

A vida em comunidade permite que, com a convivência e trabalho em coletivo, sejam traçados caminhos para praticar uma nova cultura de relacionamentos. As CSA são um espaço em que todos podem contribuir e aprender ao mesmo tempo, perpetuando o bem-viver comunitário, saindo da cultura do preço para a cultura do apreço!