Brotando biodiversidade com o Sistema Filho: fruticultura integrada com lavouras e hortaliças


Publicado em 23/04 às 10h

Por Conceição Trucom – DoceLimão

Desenvolvido pelos engenheiros agrônomos Tadeu Graciolli Guimarães (doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Cerrados, Planaltina/DF) e Nuno R. Madeira (doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Hortaliças, Gama/DF), o Sistema Filho é uma modalidade de Sistema Agroflorestal (SAF), no qual, as fruteiras representam o componente florestal (ou arbóreo) e as culturas, que ocupam o espaço das entrelinhas, representam o componente agrícola do sistema.

Nos pomares comerciais, as mudas são arranjadas em fileiras paralelas e equidistantes, de forma a proporcionar espaço físico suficiente para a interceptação de luz e para a exploração do solo pelas raízes, visando formar plantas vigorosas, sadias e de elevado potencial para a produção de frutos dentro dos padrões comerciais. Além disso, o arranjo e a disposição das plantas deve permitir a realização de tratos culturais importantes para o pomar, sejam estes realizados manual ou mecanicamente.

Para a maioria das fruteiras propagadas por enxertia, são necessários, em média, de 1 a 2 anos até o início da frutificação, enquanto aquelas propagadas por sementes levam de 3 a 5 anos. Para algumas espécies nativas do Cerrado, são necessários até 5 anos para iniciar a fase de produção. Normalmente, em pomares comerciais, leva-se de 6 a 10 anos para se atingir o patamar de máxima produtividade física e econômica.

Outro fator importante a ser considerado é o elevado aporte financeiro necessário para o estabelecimento de explorações comerciais em fruticultura, o que as torna investimentos de elevado risco financeiro.

Dessa forma, considerando-se a disponibilidade de espaço físico ocioso entre as fileiras de fruteiras e o elevado investimento no estabelecimento e condução do pomar, o cultivo consorciado para a produção de espécies de ciclo mais curto nas entrelinhas do pomar, como hortaliças e grãos, deve ser estimulado. A obtenção e a venda desses produtos permitirão, ao produtor, gerar recursos para financiar mais rapidamente, de forma a amortizar parte do investimento aplicado na fruticultura e também reduzir o risco inerente às atividades agrícolas.

Nesse contexto, sugiro a leitura desta publicação, que reúne recomendações técnicas, deste sistema de produção promissor para a agricultura familiar, fruticultores, pequenos produtores rurais e até para a agricultura urbana. E assistir às entrevistas do Nuno Madeira e Marcos Palmeira sobre a importância de voltarmos a ser mais agricultores e responsáveis pela alimentação do futuro.



ASSINE NOSSA NEWSLETTER E RECEBA PROMOÇÕES E CONTEÚDOS EXCLUSIVOS