As Plantas Alimentícias Não Convencionais e as soluções para os problemas alimentares do mundo


Publicado em 21/03 às 14h

Por Conceição Trucom – DoceLimão

Podemos consumir pouco ou muito, bem ou mal, de forma responsável e consciente ou não, mas, enquanto seres humanos, o consumo é inerente a nossa presença na terra, seja pelas necessidades biológicas, culturais, relacionais, emocionais ou espirituais.

Da forma como vivemos nos últimos 100 anos, é cada vez mais evidente que se trata de um modelo de consumo até a escassez - energia, degradação do meio ambiente, mudança climática, segurança alimentar e financeira. Com crescimento de violência, medicalização e desequilíbrios emocionais que vão da extrema ansiedade ao autismo e elevadas taxas de suicídios entre os jovens, caminhamos para desequilíbrios cada vez maiores.

Existem muitas pessoas passando fome, ao mesmo tempo batemos recordes crescentes de obesidade (e obesidade mórbida) no mundo. Mas o desperdício de alimentos atinge um terço de toda a comida produzida no planeta. Boa parte acontece na nossa casa. Porém, outros fatores têm influência: a agricultura familiar tem limitações econômicas, baixa tecnologia e precariedade do transporte, fatores significativos para esse problema.

Desperdiçamos, em níveis altos, os alimentos convencionais, e quase 100% das PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), com o NÃO consumo das mesmas. Um erro enganoso, que atrai medos e mais enganos. Todos sabem que o que mais destrói o meio ambiente é a pobreza (também de entendimento, de espírito) e a ganância. Na tentativa desesperada de conseguir algo comestível, destroem-se os solos, os cursos de água, animais e florestas.

Se nossos enganos, que geram demandas equivocadas, se mantiverem nesse mesmo ritmo, em meados de 2030 iremos precisar de dois planetas para manter nosso estilo de vida.

As escolhas pessoais do que consumir devem ser entendidas como atos políticos. A revolução acontece de forma individual, responsabilidade que não fica restrita ao discurso ou teorias, supõe ação que requer, de alguma forma, além da educação, também uma mudança de atitude. Somos determinados pelo sistema, mas podemos ter determinação e também determinar.

Finalizo com este resumo do engenheiro agrônomo Nuno Madeira da Embrapa Hortaliças:

  • Todas as nossas atividades representam algum tipo de pressão sobre o ambiente no qual vivemos.
  • E é nesse ponto que entram as Plantas Alimentícias Não Convencionais! 
  • As PANC podem trazer grande contribuição para a melhoria na “Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional”.
  • Também Saúde pela simplicidade de cultivo, grande adaptabilidade e rusticidade, que provoca exacerbação de suas características nutracêuticas.
  • As PANC representam uma oportunidade em termos de “Produto Local”, diferenciado, em tempos de revalorização do tradicional na Culinária e na Gastronomia.
  • Importante ressaltar que as PANC carecem de ações de Conservação, de Promoção e de Pesquisa em diversos ramos do conhecimento como Fitotecnia, Pós-colheita, Caracterização Nutricional, etc. Mas deixo aqui uma pergunta: tais ações estão sendo realizadas com os alimentos de cultivo com agrotóxicos e com transgenia?


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