Organizações lançam manifesto em apoio aos cientistas que expõem os perigos dos Agrotóxicos


Publicado em 20/02 às 17h

Dezenas de organizações sociais de vários países do mundo assinam o manifesto abaixo. O documento é mais uma das ações geradas pela rede formada para realizar o I Seminário Internacional e III Seminário Nacional de Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos, que ocorreu de 10 a 13 de dezembro de 2018, na Cidade de Goiás, no Brasil.

Manifesto em defesa da Livre Expressão Intelectual e Científica e em solidariedade aos cientistas que alertam à sociedade sobre os perigos dos Agrotóxicos no mundo (WhistleBlowers Científicos)

  1. Ao longo da história da humanidade, os cientistas que alertam a sociedade sobre os riscos à saúde e ao ambiente acerca de produtos perigosos, tais como o cigarro, amianto e agrotóxicos, têm sido alvo de diversas perseguições e tentativas de desmerecimento de suas publicações e trabalhos científicos.
  2. Raquel Carson, bióloga que marcou época quando da publicação dos efeitos danosos dos agrotóxicos à Saúde e Ambiente, por meio do livro “Primavera Silenciosa”, foi vítima de inúmeros ataques, na busca da desqualificação de seu trabalho, promovidos pela indústria química e pelo aparato do Estado Americano, em conluio com os interesses econômicos e geopolíticos dominantes da indústria pós-guerra.
  1. A divulgação massiva de inúmeras peças publicitárias pagas pelas corporações dos agrotóxicos visando anular os impactos do alerta anunciado pela cientista; os ataques à sua honra e dignidade, o desmerecimento de sua família de origem humilde e as acusações ideológicas que a rotulavam de “comunista”, de “pseudocientista a atuar contra os interesses do país”, estão registradas em livros, filmes, documentários e papéis oficiais.
  1. Atualmente, a literatura científica internacional atenta para esstes fatos e inicia o registro dessa forma de Inquisição aplicada ao conhecimento científico, que afronta aos Direitos Humanos, apontando os danos que se estendem às sociedades, que não enfrentam de forma adequada esta questão, e que não atuam no sentido de garantir de forma efetiva a proteção de seus cientistas ameaçados, os chamados WhistleBlowers científicos.
  1. Assim, segue-se após Raquel Carson (EUA), casos emblemáticos mais recentes, como: Andrés Carrasco, Damian Verzenasci e Fernando Cabaleiro (AR), Tyrone Hayes (EUA), Magda Zanoni, Paulo Kageyama, Lia Giraldo, Debora Calheiros, Raquel Rigoto, Luís Cláudio Meireles, Vandereley Pignati, Vicente Almeida e Fernando Carneiro (BR), entre outras vítimas explícitas que aqui ilustram fração mínima dos inúmeros casos de whistleblowing científicos observados no âmbito dos alertas relacionados aos perigos dos agrotóxicos e transgênicos, para a saúde e ambiente. 
  1. Dessa forma, entendendo que podem ser considerados como whistleblowers científicos todos pesquisadores, estudantes, profissionais da área médica e agronômica, jornalistas, gestores, lideranças sociais e até mesmo operadores do direito, que se fundamentam no conhecimento científico para alertar a sociedade sobre os riscos e perigos dos agrotóxicos e transgênicos, concluímos afirmando que.
  1. Nós, participantes do I Seminário Internacional e III Seminário Nacional Agrotóxicos, Impactos, Socioambientais e Direitos Humanos, manifestamos compromisso de ação e reclamo de ações dos poderes constitucionais de nossos países, em defesa da livre expressão intelectual e científica, especialmente no contexto dos agrotóxicos, transgênicos e novas biotecnologias, conforme expresso no art. 19 da Declaração dos Direito Humanos em relação à livre expressão das ideias e a difusão de informações, como também no art. 5, IX da Constituição Federativa do Brasil, relativamente à livre expressão intelectual e científica.
  1. Manifestamos ainda repúdio à todas as formas de violência perpetradas contra aqueles e aquelas que atuam no sentido da defesa, veiculação e produção de conhecimentos e saberes livres, voltados às necessidades dos povos, aos bens comuns e às relações harmoniosas entre os seres humanos e destes com as outras formas de vida que compõem a natureza de nossa casa comum.

Goiás/GO 05 de fevereiro de 2019

Baixe aqui o manifesto em PDF para ter acesso aos nomes de todas as organizações signatárias

 

 



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