MST celebra 35 anos e reafirma luta por reforma agrária e alimentos saudáveis para a população


Publicado em 20/02 às 17h

Por Redação Rede Brasil Atual

No encontro com 400 militantes na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP). “Não vamos abrir mão de continuar em luta, ocupando terra, dialogando com a sociedade, defendendo os direitos da classe trabalhadora e produzindo alimentos saudáveis”, afirmou o representante da direção nacional do MST, João Pedro Stédile, que ressaltou a disposição de toda a militância do movimento de seguir em resistência e em luta permanente.

O ato marcou a entrega da Menção Honrosa da Assembleia Legislativa do Paraná em homenagem aos 35 anos do MST, entregue pelo Deputado Estadual Professor Lemos (PT) ao conjunto do Movimento, destacando o papel do MST na luta pela terra no Paraná e em todo o país.

Durante o ato, o MST lançou a “Carta ao Povo Brasileiro”, abordando a posição do Movimento na atual conjuntura política brasileira e internacional. “Lutaremos pela democracia, pela justiça, pela igualdade, pela defesa dos bens da natureza, pela democratização da terra e pela produção de alimentos saudáveis para alimentar o povo brasileiro”, destacou trecho da carta.

Confira a Carta ao Povo Brasileiro na íntegra:

O Movimento Sem Terra celebra seus 35 anos de luta pela reforma agrária e por justiça social. Nascemos no final da ditadura civil-militar, junto com milhares de lutadores e lutadoras que defenderam a democracia e desafiaram o autoritarismo. Mais uma vez, reafirmamos nosso compromisso de lutar pela democratização da terra, pela produção de alimentos saudáveis, pela soberania popular e por uma sociedade emancipada.

Diante da crise estrutural, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) celebrou neste sábado (26) seus 35 anos de existência do capital, com consequências graves e destrutivas para a natureza e a humanidade; nossas tarefas políticas se tornam ainda mais urgentes e necessárias. As saídas apresentadas pelo capital financeiro, nada têm a ver com as necessidades humanas, pois resultam em aumento da superexploração dos trabalhadores e trabalhadoras, através da precarização do trabalho, desmonte das políticas públicas, agressiva retirada de direitos e expropriações diversas, elevando de forma brutal, os níveis de desigualdade social. Para executá-las, o capital requer um Estado cada vez mais autoritário, voltado à repressão, violentando e perseguindo os mais pobres, promovendo um cruel genocídio da juventude negra.

Foi desta forma que os meios de comunicação, o poder judiciário, os bancos, os militares e o agronegócio, levaram ao poder, neofascista e ultraliberal, um capitão reformado que atua pelas formas mais baixas e vulgares da política, para manter os privilégios dos que historicamente saquearam o país e atacar diretamente os direitos da classe trabalhadora, através de ajustes fiscais, privatizações e subordinação da nossa economia ao capital internacional, principalmente dos EUA.

A subordinação das questões indígenas, fundiárias e ambientais aos interesses da bancada ruralista e do agrotóxico no Ministério da Agricultura; o desmonte da previdência social; a ameaça da entrega das empresas e bancos nacionais, como Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal; a liberação da posse de armas são algumas das políticas mortíferas adotadas por esse (des)governo, que colocam em risco a nossa biodiversidade e acirram os conflitos no campo atingindo frontalmente os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, camponeses, assentados e acampados da Reforma Agrária e evidencia a característica antinacional e antipopular do atual governo.

É preciso ocupar as ruas e as praças denunciando a voracidade dessas políticas que aprofundam a expropriação e exploração capitalista.

Assim, nos comprometemos em lutar e defender todos e todas trabalhadores e trabalhadoras que tenham sua existência ameaçada. Seguiremos defendendo a soberania dos povos e lutando contra qualquer tipo de ingerência política e/ou intervencionismo militar em qualquer país. Declaramos total solidariedades ao povo Venezuelano!

Nos solidarizamos com as famílias atingidas pela barragem de Brumadinho, vítimas de mais uma ação criminosa e reincidente da Vale, uma assassina protegida pelo poder judiciário.

Nos somaremos à mobilização das mulheres trabalhadoras no 8 de março, seremos zeladores do legado e da memória de Marielle Franco e de tantos outros companheiros e companheiras que tombaram, exigindo a punição dos seus assassinos e mandantes. Defenderemos a liberdade do companheiro Lula, cuja prisão política foi utilizada para que esse projeto fosse vitorioso nas eleições.

Nos comprometemos em fortalecer a Frente Brasil Popular e todas as iniciativas de luta da classe trabalhadora que confrontem a exploração, a subordinação e a opressão, nos somando na luta cotidiana das mulheres, da população urbana e camponesa, dos negros e negras, dos povos indígenas e dos sujeitos LGBT.

Lutaremos pela democracia, pela justiça, pela igualdade, pela defesa dos bens da natureza, pela democratização da terra e pela produção de alimentos saudáveis para alimentar o povo brasileiro.

Lutar, construir Reforma Agrária Popular!

Coordenação Nacional do MST

26 de janeiro de 2019.

Nós, editores do Nutrindo a Mudança, parabenizamos o MST, valorizamos seus 35 anos de luta e destacamos que:

  • O MST é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. Ele fornece alimentos saudáveis para muitas comunidades, inclusive para a alimentação escolar.
  • A produção do MST se dá através de cerca de 100 cooperativas, 96 agroindústrias e 1,9 mil associações. As unidades de sua loja Armazém do Campo vendem produtos orgânicos diretamente para os habitantes de centros urbanos, sempre com preços mais acessíveis.
  • Ao longo de seus 35 anos, o Movimento conquistou mais de duas mil escolas públicas, reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), nos acampamentos e assentamentos em todo o país, que atendem a crianças, adolescentes e adultos.
  • Milhares de camponeses, organizados pelo MST, tiveram acesso à alfabetização e se formaram no ensino fundamental, médio, em cursos técnicos e de nível superior. Há filhos de famílias assentadas em mais de 100 turmas de cursos formais.
  • Mais de quatro mil professores foram formados a partir das lutas pela educação pública.


ASSINE NOSSA NEWSLETTER E RECEBA PROMOÇÕES E CONTEÚDOS EXCLUSIVOS