Ao votar, lembre-se da importância de realizarmos a transição agroecológica!


Publicado em 22/10 às 16h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Atualmente, as organizações sociais, ambientais e científicas do mundo todo já reconhecem a necessidade, cada vez mais urgente, de restaurar o equilíbrio de nossos ecossistemas, transformando o modo como nos relacionamos com os recursos naturais. Como o Brasil é um território extremamente importante, para que nosso planeta mantenha condições favoráveis ao desenvolvimento sustentável, o rumo que o país tomará nos próximos anos, em relação à preservação ambiental, pode ser determinante para a espécie humana.

A agroecologia, como um modo mais harmonioso, justo, solidário e responsável de produzir alimentos, é essencial nesse cenário. A partir de 2018, já celebramos, em nosso calendário do mês de outubro, além do Dia Mundial da Alimentação, o Dia Nacional da Agroecologia! A data, dia 3, que também é o Dia da Abelha, é mais do que simbólica, pois é o dia do aniversário da grande pioneira do desenvolvimento agroecológico no Brasil – Dra. Ana Primavesi, que acaba de completar 98 anos.

Mas, além de homenagearmos essa linda mestra, precisamos dar os passos rumo à implantação do que aprendemos com ela, caminhando em direção à transição agroecológica. E, como estamos diante de um momento decisivo para o país, já que escolheremos, nessas eleições, o projeto político que o conduzirá, é muito importante que façamos uma análise das propostas que os dois candidatos concorrentes, no segundo turno, apresentam à nação.

Para auxiliar nessa tarefa, compartilhamos as informações produzidas por duas organizações conceituadas por atuarem intensamente no setor ambiental, o Observatório do Clima e o Greenpeace Brasil. Nesse link é possível conferir a análise das propostas dos dois candidatos à presidência. Para facilitar, há também uma tabela de fácil visualização.

Vale destacar que, em relação às mudanças climáticas, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) não apresentou nenhuma proposta, mas já afirmou que pode “tirar o Brasil do Acordo de Paris”, por ele representar “ameaça à soberania nacional”, enquanto o candidato Fernando Haddad (PT) propõe “Introduzir agenda estratégica de transição ecológica, que colocará as políticas ambientais, territoriais, regionais, produtivas, tecnológicas, científicas e educacionais como aliadas”.

Já em relação ao desmatamento, Bolsonaro declarou que pode “fundir” os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura e que iria enfraquecer órgãos de fiscalização a crimes ambientais, como o Ibama e o ICMBio, afirmando também que “Se assumir a presidência, o Brasil não terá mais um centímetro para terra indígena”. O candidato ainda “Defende que apenas o Ministério da Agricultura decida sobre a liberação de agrotóxicos, tirando o poder de participação da Anvisa”.

Haddad se compromete a zerar o desmatamento até 2022 e a “Criar instrumentos que valorizem a produção e a comercialização de produtos agropecuários de forma sustentável, promovendo a valoração econômica da preservação de recursos naturais”. Também propõe “Promover uma nova geração de políticas e programas voltados à questão agrária, agricultura familiar e agroecologia no Brasil”, implantando o Programa Alimento Saudável, que beneficiará os pequenos agricultores, e o Programa de redução de agrotóxicos, que proibirá o uso de agrotóxicos já banidos em outros países. A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) destaca, em seu site, mais alguns pontos importantes para a agroecologia e a democracia no país, apresentados no Plano de Governo do candidato.

Depois que Bolsonaro declarou que irá “botar um ponto final em todos os ativismos no Brasil”, um conjunto de 3.000 organizações ambientais e sociais criou e divulgou uma carta intitulada Nota de repúdio à declaração de Bolsonaro sobre ativismo no Brasil, afirmando que a fala do candidato afronta a Constituição Federal, que garante os direitos de associação e assembleia. "Trata-se de uma ameaça inaceitável à nossa liberdade de atuação. Não será apenas a vida de milhões de cidadãos e cidadãs ativistas e o trabalho de 820 mil organizações que serão afetados. Será a própria democracia brasileira”.

Nós, organizações responsáveis pelo Boletim Nutrindo a Mudança, recomendamos a leitura cuidadosa dos Planos de Governo de ambos os candidatos, além da checagem de informações recebidas pelas redes sociais, já que há grande quantidade de notícias falsas circulando. O nosso país só terá um equilíbrio socioambiental, com garantia de alimentos seguros e saudáveis para todos, se realizarmos a transição agroecológica. Aprendemos isso com a nossa mestra Dra Ana Primavesi e precisamos votar com consciência e responsabilidade, para que a homenagem prestada a ela, através da data do Dia Nacional da Agroecologia, não seja apenas decorativa.

Assista ao nosso vídeo exclusivo, com a mensagem que outra grande mestra, Vandana Shiva, enviou especialmente para os brasileiros, no atual momento vivido pelo nosso país.

Desejamos que as eleições sejam pacíficas, democráticas e que gerem frutos nutritivos para toda a população. Bom voto!



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