VP Nutrição Funcional divulga um parecer técnico sobre os agrotóxicos no Brasil


Publicado em 22/08 às 11h

Por Benjamin Prizendt        C. P. C. A. P. V.

 

A seção “Cuidado Veneno!” deste mês apresenta um resumo sobre o Parecer Técnico, organizado pela VP Nutrição Funcional, apropriadamente denominado “Atualização científica sobre agrotóxicos”. Nele vamos encontrar, devidamente lastreados na pesquisa e literatura científicas, uma descrição do estado atual em que se encontram os estudos sobre os diversos aspectos envolvendo a problemática do uso dos agrotóxicos.

De início, ressalte-se que a toxicidade dos agrotóxicos vai além dos seus alvos na lavoura, ou seja, as “pragas” a que se destinam combater. Seus efeitos prejudiciais à saúde humana atingem agricultores, as populações das imediações das plantações e os consumidores, além de danos irreparáveis ao meio ambiente pela contaminação do solo, dos lençóis freáticos, da água de consumo e de irrigação, do ar e da fauna e flora.

No organismo humano, os ingredientes ativos presentes nos agrotóxicos podem causar uma série de distúrbios que atingem o núcleo das células e interferem no equilíbrio delicado dos hormônios. Altos níveis de exposição a estas substâncias podem levar a alterações no sistema reprodutivo, como cânceres de mama e de testículo, endometriose, puberdade precoce, aborto e infertilidade.

Estudo com 344 crianças, com idade em torno de 6 anos, correlacionou excesso de peso nessa idade com a exposição pré-natal a pesticidas organoclorados. Situação agravada com a alta ingestão de gordura por estas crianças que pode ter influenciado esta susceptibilidade.

Um retrato de como está a contaminação dos alimentos por agrotóxicos, pode ser obtido, desde 2001, quando foi lançado o Programa de Análise de Resíduos em Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da ANVISA. O PARA avalia a presença de resíduos de agrotóxicos em amostras de alimentos cultivados e comercializados em território nacional, tais como: arroz, feijão, alface, tomate, cenoura, pepino, pimentão, abacaxi, banana, uva, morango e mamão etc. Resultados obtidos apontam resíduos de agrotóxicos em quantidade superior aos níveis permitidos pela legislação, ou resíduos de pesticidas proibidos para a cultura avaliada e até mesmo alguns agrotóxicos que, apesar de permitidos no Brasil, já foram proibidos em diversos países da União Europeia (EU), como o acefato, devido aos seus elevados riscos à saúde humana e do planeta.

Diversas pesquisas procuram alternativas para minimizar nossa exposição aos resíduos, removendo-os, mesmo que parcialmente, de nossos alimentos. São diferentes métodos testados envolvendo substâncias ou compostos tais como água de torneira, bicarbonato de sódio, água sanitária, iodo e ácido acético, ou tipos de preparo de alimentos (secagem, cozimento, retirada de casca e extração do suco).  A questão é que todas essas práticas se revelam insuficientes, devido à nossa situação crítica de país líder no ranking mundial de utilização de agrotóxicos. Consumimos aproximadamente 20% do total de pesticidas comercializados no mundo!

Trabalho desenvolvido pela pesquisadora da USP, Larissa Mies Bombardi, mostra uma realidade alarmante no Brasil, no qual a presença de resíduos de pesticidas para alimentos é permitida em níveis até 400 vezes maiores do que na EU. Dentre os agrotóxicos avaliados nesse estudo, o mais comumente encontrado em amostras de água brasileiras é o clorpirifós. De acordo com Bombardi, o LMR desse pesticida em água potável supera em 300 vezes os LMR estabelecidos pela EU, podendo, assim, chegar a 30mcg/L. Daí sua sugestão de que, para tratar com maior efetividade as águas brasileiras, possa ser necessário uma maior concentração de KMnO4, o que, entretanto, não permite a remoção de 100% do pesticida.

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