Dia em que ultrapassamos os limites do consumo sustentável chega mais cedo em 2018


Publicado em 22/08 às 11h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

 

No dia primeiro de agosto, o mesmo dia em que os povos tradicionais da região andina celebram nossa PachaMama (ou Mãe- Terra, como é chamada aqui no Brasil), a humanidade ultrapassou os limites anuais de seu consumo sustentável dos recursos do planeta. O Dia da Sobrecarga da Terra, como é denominada a data em que os seres humanos passam a usar o que a natureza fornece além da capacidade que ela possui de se regenerar, tem ocorrido cada vez mais cedo no ano. Isso significa que, em 2018, ainda temos 5 meses mais para viver e já estamos entrando na nossa cota de 2019.

As atividades realizadas para destacar essa data e a importância de modificarmos nosso padrão de consumo centraram-se, desta vez, no tema da produção de carne e de suas consequências para o meio ambiente. Segundo o Atlas da Carne, o Brasil já possuía, em 2009, praticamente uma cabeça de gado por habitante e a expansão de sua criação vem ocorrendo, sobretudo, em terras da Amazônia e do Cerrado, comprometendo seriamente a preservação desses biomas. Da década de 70 até hoje, a floresta amazônica perdeu uma área equivalente ao território da França, sendo que mais da metade dela virou pastagem.

Segundo Maureen Santos, do setor de justiça socioambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil, “A cadeia da proteína animal se expandiu com o aumento da produção de commodities [grãos para exportação] no Cerrado. Foi empurrada para a Amazônia, com a criação de gado, em um volume gigantesco de hectares. A soja abrange 33 milhões de hectares e a pecuária, mais de 200 milhões de hectares. Não tem como resolver o problema do desmatamento sem olhar para a pecuária e o monocultivo [de soja]. É uma questão que tem de ser enfrentada”.

O censo agropecuário de 2017 também aponta a expansão da fronteira agrícola rumo ao norte do Brasil. A insustentabilidade do modo de produção, característico do agronegócio brasileiro, é a principal alavanca do avanço do pasto e das monoculturas sobre as florestas. O levantamento mostra que, além de ampliar o cultivo de commodities, como a soja, nosso país tem concentrado cada vez mais a terra, o que significa que menos camponeses estão tendo acesso à terra e menor é a geração de empregos no campo.

Rever nossas escolhas alimentares diárias em busca de um modelo ecológico de produção de alimentos é uma necessidade cada vez mais urgente. A implementação da PNaRa (Política Nacional de Redução dos Agrotóxicos) é um dos passos essenciais nesse percurso, mas atitudes individuais também são importantes, como a redução do consumo de carne e a preferência por produtos da agricultura familiar para suas refeições.

Para impulsionar o envolvimento das pessoas com o tema ambiental e com estratégias para mudanças de comportamento, vem aí a Virada Sustentável 2018, que será realizada entre 23 e 26 de agosto. Um destaque da programação é o Nutrindo a Virada, um conjunto de atividades gratuitas que abordará todas as etapas do ciclo alimentar.

Saiba mais sobre o evento, divulgue e participe. Afinal, nossa Pachamama merece ser celebrada com mais carinho e alegria do que dividindo sua data comemorativa com o Dia da Sobrecarga da Terra!



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