Concentração financeira no setor alimentar segue crescendo e empobrece agricultores


Publicado em 20/07 às 12h

Por Benjamin Prizendt        C. P. C. A. P. V

 

Fazer compras em supermercado tornou-se uma atividade rotineira. Tanto é que nos acostumamos a, simplesmente, localizar os produtos nas prateleiras, e levá-los ao caixa para pagamento. Entretanto, no mundo inteiro, os supermercados organizaram-se como grandes redes de negócio. Com isso, distribuem seus imensos lucros aos acionistas, de uma forma regular e garantida.

Esses lucros decorrem do poder que as grandes redes de supermercados conseguiram para, de um lado, fixar os preços de venda de suas mercadorias e, de outro, determinar os valores com que remunera seus fornecedores. E, como a corda sempre se rompe do lado mais fraco, são justamente esses últimos os grandes prejudicados pela monopolização do comércio, principalmente de gêneros alimentícios.

Todas essas informações que, de certa forma, já suspeitávamos, adquirem contornos drásticos no relatório “Hora de Mudar- desigualdades e sofrimento humano nas cadeias de fornecedores dos supermercados” publicado, neste ano, pela Oxfam (Comitê de Oxford de Combate À Fome).

O estudo da Oxfam abrangeu 12 produtos comuns fornecidos a supermercados de todo mundo, a partir de uma variedade de países produtores nos continentes asiático, africano e latino- americano. Por exemplo, café na Colômbia, cacau na Costa do Marfim, uva na África do Sul, feijão verde no Quênia e laranja no Brasil.

As informações levantadas são estarrecedoras. Por mais incrível que pareça, nos deparamos com um cenário generalizado de fome, entre os produtores de alimentos!  Filipinas: 66% dos produtores de banana não tiveram o que comer durante o mês. Na África do Sul, mais de 90% também relataram que não tiveram alimento suficiente no mês anterior. Igual porcentagem ocorreu com os produtores entrevistados em unidades de beneficiamento de frutos do mar, na Tailândia.

Esse cenário de exploração é posto a nu, quando o relatório afirma que “em alguns casos, as grandes redes de supermercado chegam a ficar com 50 % do valor que os consumidores gastam nas lojas e os trabalhadores rurais... com menos do que 5%”.

No Brasil, ainda segundo o relatório, enquanto a laranja vendida aos mercados americano e europeu teve um valor aumentado em 50%, de 1996 até hoje, o valor recebido pelo trabalhador na colheita caiu de 17% a 4%. Essas informações permitiram à Oxfam chegar à seguinte conclusão: “o modelo de negócios dos grandes supermercados perpetua uma estrutura de exclusão social entre os produtores de alimentos que vivem e trabalham na América Latina, África e Ásia”.

Nós, que temos batalhado pela agroecologia, continuaremos a reforçar, em nosso Boletim, a necessidade de se garantir a sustentabilidade dos produtores como reconhecimento do importante papel social representado pelo seu trabalho. Daí a importância de comprarmos diretamente de quem produz, seja em feiras livres, seja por entrega domiciliar contratada com eles. Bons exemplos de comercialização justa, que podemos citar aqui como referência, são: Instituto Chão, Armazém do Campo e CSA (Comunidade que Sustenta a Agricultura).

Como um exercício de cidadania, cada um de nós tem a responsabilidade de denunciar as mazelas da exploração imposta pelas grandes empresas aos seus fornecedores. Faça escolhas mais conscientes e solidárias e assine a petição contra a exploração das grandes redes de supermercados, seja parte ativa na transformação desse cenário tão injusto!



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