Saiba como criar uma horta emergencial urbana para enfrentar a crise de abastecimento


Publicado em 20/06 às 15h

Por Cláudia Visoni  Colaboradora do MUDA SP

 

O abastecimento de combustível e o transporte de cargas no país devem voltar ao normal nos próximos dias. Mas os pequenos colapsos tendem a se tornar mais frequentes porque o mundo está caótico, nossa sociedade se tornou complexa demais e a produção de tudo o que a gente precisa para viver, além de supercentralizada, é dependente de grandes corporações e de infraestrutura robusta, porém pouco resiliente.

Mudanças climáticas (que trazem secas, enchentes, furacões, ondas de calor e de frio), crises financeiras, conflitos políticos e todo tipo de instabilidade estão no radar. E ninguém vai se salvar sozinho. Estamos todos no mesmo barco e acredito que, para fazer parte da solução, o caminho é ir tecendo a cada dia a rede de segurança comunitária, que ajuda a segurar as pontas, quando a escassez bate à porta. Sabe aquele ditado de que é no dia de sol que a gente conserta o telhado? Pois então, precisamos pensar em Planos B coletivos para o abastecimento de comida, de água, o saneamento, a produção de energia. Isso inclui cisternas, banheiros secos, biodigestores, minigeradores eólicos, placas fotovoltaicas e... hortas urbanas.

Citei essas outras tecnologias só para trazer à tona essa conversa e lembrar que os 4 pilares da permacultura (plantio, água, energia e bioconstrução) são a base da subsistência humana. Por mim, os currículos escolares deveriam ser organizados em torno desses eixos. Mas a intenção aqui é apenas listar espécies que deveriam estar em todas as hortas domésticas e comunitárias pois, na hora de uma crise, colocam comida nutritiva na mesa. E são plantas fáceis de cuidar. A lista abaixo eu fiz com a ajuda do pessoal da União de Hortas Comunitárias de São Paulo:

  • *MANDIOCA – Ainda sou pouco experiente nesse cultivo. Mas já sei que não precisa de solo muito fértil e vai bem com pouca água. Você põe a estaca (maniva) na terra e esquece. Depois de uns seis meses pode colher.
  • *INHAME – Gosta de umidade, mas aguenta períodos secos, suporta meia sombra e propaga facinho. Quando você colher a batata maior, vai enterrando as bolinhas que nascem do lado para dar origem a novas plantas.
  • *BATATA-DOCE – As folhas também são comestíveis e muito nutritivas. Se alastram loucamente. Para dar batata a terra precisa estar fofa.
  • *FEIJÃO ANDU (ou GUANDU) – Bom para melhorar o solo e não requer cuidado algum. Cresce sozinho e os feijões podem ser comidos verdes (parecem ervilha nessa fase) ou maduros, quando a vagem seca.
  • *MILHO – Está valendo, mas requer mais espaço.
  • *ABÓBORA – A vantagem é que dura bastante depois de colhida. Pode ficar meses na despensa.
  • *TAIOBA – Muito nutritiva e dá melhor na época chuvosa, mas produz folhas o ano todo e não precisa adubar (só juntar terra no pé da planta de vez em quando).
  • *ORA-PRO-NOBIS – Uma arbusto cactáceo que aguenta qualquer clima, não precisa regar e tem muuuita proteína. Gosta de um adubo de vez em quando. Antigamente era conhecido como “carne dos pobres”.
  • *CHUCHU– Um pé pode produzir dezenas de quilos de chuchu. Folhas e brotos são comestíveis também. Mas precisa de espaço para se alastrar.
  • *BANANA – Além dos frutos, a bananeira gera biomassa úmida e nutritiva para o solo. Em períodos de seca, ter bananeira para cortar é ser milionárix.
  • *MATOS QUE NASCEM SOZINHOS: aprenda a identificar os que são comestíveis, como caruru (ou bredo), crepe japônica, celosia (dá flor e é conhecida como rabo de galo), beldroega, língua de vaca e buva. Pesquisa isso tudo lá no blog do querido Guilherme R. Ranieri: http://www.matosdecomer.com.br/


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