A política nacional para os combustíveis e a crise no sistema de abastecimento


Publicado em 20/06 às 15h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

 

A intensificação da crise político-econômica traz um cenário difícil para os brasileiros e, em pleno mês do meio ambiente, expõe como nosso modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos é frágil, insustentável e injusto.

Com a ação do governo federal sobre a gestão da Petrobras (privatizando unidades da empresa e deixando outras unidades ociosas, de modo a favorecer as empresas estrangeiras que, cada vez mais, exportam para nós petróleo e derivados, em detrimento da produção nacional) houve uma disparada nos preços no mercado interno, gerando uma onda de protestos e paralisações. 

Caminhoneiros de todas as regiões do país cruzaram os braços e recusaram-se a transportar mercadorias, enquanto os valores dos combustíveis não fossem revistos. O medo de ficar sem gasolina e sem os alimentos, que esses caminhões transportam diariamente, gerou uma corrida aos postos e mercados que trouxe uma onda de desabastecimento mais intenso do que o esperado.

Sem combustível, sem alguns itens alimentares nas feiras e mercados, as pessoas que moram nas grandes cidades passaram a ser reféns de especuladores de todos os tipos. Tomate (com agrotóxico) a R$ 15,00 o kg, alface (com agrotóxico) a R$ 7,00 o pé, gasolina comum a R$ 10,00 o litro, foram alguns dos valores abusivos cobrados em São Paulo. E, mesmo assim, filas se formaram para adquirir tais produtos.

Nós, que sempre denunciamos a insustentabilidade desse modelo econômico centralizador e dependente de insumos não renováveis, mostrando que a agroecologia oferece um caminho alternativo muito mais equilibrado, passamos a divulgar um conjunto de dicas para a população enfrentar esse triste cenário. O MUDA criou um cartaz com algumas medidas simples, confira aqui. E há um artigo na seção Vamos Mudar? que demonstra como é possível implantar uma horta de emergência em espaços urbanos.

A dependência de petróleo para o funcionamento de nosso sistema agroalimentar é uma ameaça à sociedade. Há petróleo nos fertilizantes químicos, nos agrotóxicos, nos plásticos e equipamentos usados na produção, no combustível que sustenta a rede de transporte de cargas e, até, no gás de cozinha. Como podermos garantir um futuro viável se não mudarmos toda essa base?

Insistir em sucatear as empresas nacionais, transformando o Brasil em fornecedor de matéria-prima barata para o mercado internacional, não é o caminho correto a seguir. Nós não podemos seguir sendo devoradores de petróleo, mas também não queremos ver uma empresa como a Petrobras, antes responsável pelo abastecimento interno e pela exportação de derivados de petróleo, ser entregue de mão beijada ao grande capital estrangeiro.

Rever o modelo é mais do que necessário, focando nos passos da transição agroecológica, mas sempre de modo responsável, sem gerar insegurança e especulação em nosso território. Nesse sentido é que o artigo da seção Já Mudou! aborda as propostas que os movimentos sociais apresentaram, em cartas geradas no IV ENA (Encontro Nacional de Agroecologia) e na 17ª Jornada Agroecológica, para a construção de uma sociedade baseada na democracia, na valorização da natureza e dos seres humanos de todos os povos, na harmonia entre o campo e a cidade e nas relações econômicas justas e solidárias.

 

 



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