Uma feira revolucionária traz esperança no setor agroalimentar do país!


Publicado em 21/05 às 16h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Estamos vivendo um momento histórico de imensa tensão social e política. Com a ampliação dos setores ruralistas no Congresso Nacional e com a renovação de sua aliança com as grandes forças econômicas internacionais, nossa população tem sofrido com a perda de poder aquisitivo, de direitos trabalhistas e de programas importantes para combater os problemas de uma sociedade, na qual as diferenças de renda entre as classes mais ricas e as mais pobres sempre foram gigantescas.

Da mesma maneira, a natureza também está enfrentando, nesses anos pós-golpe, uma avalanche de ataques em todo o país. Aumento das áreas desmatadas, modificações legislativas, favorecimento do uso de agrovenenos nos latifúndios de monocultura, entre outros fatores, têm trazido muita tristeza aos brasileiros, que sabem como a preservação dos nossos ecossistemas é essencial para uma vida saudável das atuais e futuras gerações.

Mas um encontro de quatro dias, realizado no Parque da Água Branca, em São Paulo, sacudiu todo esse cenário árduo e reacendeu a chama da esperança em um modo de vida mais digno, mais justo, mais fraterno, em harmonia com os ciclos da Mãe-Terra e com a cultura popular de regiões de todo o país. A III Feira Nacional da Reforma Agrária, realizada de 3 a 6 de maio, reuniu cerca de 260 mil pessoas e ofereceu alimentos saudáveis diretamente dos camponeses que cultivam de forma agroecológica, além de artesanato, apresentações artísticas, seminários, rodas de conversa e lançamento de livros.

Agricultores de assentamentos do MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- vieram de todas as regiões do Brasil, trazendo os frutos de seu trabalho nos campos e os saberes gerados em suas comunidades, para compartilhar a riqueza natural e cultural de nosso país com os habitantes da grande metrópole.

Dezenas de banquinhas, oferecendo ingredientes nativos de ecossistemas brasileiros, espalharam-se pelo local, revelando preciosidades de nossa biodiversidade agroalimentar, como as castanhas, as frutas, as raízes, as ervas e os grãos típicos de cada região do país. Umbu, pequi, cacau, baru, babaçu, entre outros frutos pouco conhecidos pelos paulistanos foram comercializados a preços populares, promovendo o estabelecimento de relações solidárias entre camponeses e visitantes. Farinhas, geleias, licores... diversas receitas provenientes das comunidades, transmitidas por gerações, também encantaram os presentes, que ainda puderam saborear os pratos da culinária da terra, no espaço gastronômico da feira.

A grande festa, promovida pela realização da feira, não apenas trouxe alegria e alimentos saudáveis e saborosos à população, mas reafirmou a essencialidade da realização de uma reforma agrária ampla e ecológica em nosso território, como a única possibilidade de nos tornarmos uma sociedade sustentável e conquistarmos um modo de viver mais equilibrado, com saúde, soberania, justiça social e liberdade de expressão para todos.

Segundo João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, o intuito da feira foi o de “dialogar com a sociedade e realizar uma espécie de prestação de contas dos 34 anos de lutas e conquistas do MST”. Ele ressalta que o “Agronegócio tem as melhores terras do Brasil. Eles produzem (basicamente 6 tipos de commodities para exportação) em aproximadamente 60 milhões de hectares. Se as áreas fossem destinadas para a reforma agrária, teríamos outra produção, com maior diversidade, geração de renda e de emprego no Brasil afora. O MST tem apenas 8 milhões de hectares e produzimos essa imensidão de produtos para o povo brasileiro”. Segundo ele, foram vendidos na feira cerca de 420 mil quilos de alimentos, de 1.530 variedades, de 24 Estados, além de oferecidos 75 pratos diferentes, feitos em 26 cozinhas, que representaram comunidades de todos as regiões do país. “Conseguimos trazer uma bonita mostra do que se está produzindo (nos assentamentos) por esse Brasil”, conclui.

Nossa colaboradora do boletim, Conceição Trucom, aproveitou a feira para fazer entrevistas com João Pedro Stédile, Kenia Cristina e Mariana Marcon, de movimentos sociais envolvidos no encontro. Vale a pena conferir o que eles revelam sobre o tema agroalimentar. 

Nós, ativistas dos movimentos agroecológicos paulistanos, vamos seguir apoiando os camponeses em sua luta pela terra. Afinal, somente a conquista de um modelo baseado na distribuição justa do território e no cultivo agroecológico é que possibilitará a nossa verdadeira nutrição, garantindo uma sociedade econômica e ambientalmente viável!



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