Privatização do Ibirapuera é exemplo de oposição entre dois modelos para o país


Publicado em 18/04 às 10h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Nosso país está passando por um período tumultuado desde 2016, quando houve o impedimento de uma presidente democraticamente eleita e os conflitos de classe se acirraram. Mas, desde então, houve uma intensificação desse processo e, nesses últimos meses, estamos vivendo momentos extremamente conturbados.

Dois movimentos divergentes têm envolvido nossa sociedade, de modo a impulsioná-la para a realização de mudanças em sua forma de organização. Os retrocessos sociais e ambientais, que ocorreram nos dois últimos anos, revelam uma clara tentativa de neutralizar os direitos que os trabalhadores, os povos indígenas, os quilombolas e os ambientalistas levaram décadas para conquistar. Podemos eleger, como símbolo dessa força reacionária, as políticas públicas voltadas à produção de alimentos, as quais têm se caracterizado pela desregulação do controle de agrovenenos e pela paralisação da reforma agrária, entre outras medidas alinhadas ao modelo ruralista.

Porém, do outro lado, as forças de resistência, representadas pelos movimentos sociais e ambientais atuantes no país, têm conseguido frear esse processo destrutivo e apresentar alternativas mais justas, solidárias e ambientalmente equilibradas para a promoção de um futuro mais sustentável.

Em março, mês em que o tema da água tem destaque internacional, Brasília sediou dois encontros internacionais sobre esse recurso vital. No evento organizado pelos governos e empresas de todo o planeta, chamado de Fórum Mundial da Água, a tônica dominante foi a do valor financeiro desse bem natural. Já no evento organizado pelos movimentos sociais, chamado de FAMA, a ênfase foi claramente dada às relações que os seres humanos e os ecossistemas estabelecem há milhares de anos com esse recurso, destacando a importância de que não seja considerado uma mercadoria.

Novamente, assistimos à contraposição de dois modelos divergentes enfrentando-se pela construção do nosso futuro e, novamente, o setor alimentar adquire protagonismo nessa disputa, como revelam os documentos finais gerados nesses dois encontros. Água e alimento são indissociáveis e vitais não apenas para a sobrevivência de nossa espécie, mas para que os povos do mundo todo tenham sua soberania respeitada e seus ambientes naturais preservados.

E, como no mês de abril, os índios ganham destaque devido ao dia 19, considerado como data oficial de celebração da cultura indígena, podemos perceber como as duas visões de sociedade, que descrevemos até aqui, voltam a se opor intensamente. De um lado, forças ligadas ao agronegócio tentam anular as conquistas desses povos tradicionais, sobretudo em relação à demarcação de suas terras. Do outro lado, tribos de todo o país e organizações humanitárias e ambientais se unem para assegurar o protagonismo desses povos, reafirmando sua importância sócio-ambiental como guardiães da natureza em nosso país.

Dentro desse processo de embate, travado entre os representantes do poder econômico e os movimentos sociais, uma ação ganha corpo na capital paulista: a privatização (ou desestatização) do Parque Ibirapuera, patrimônio cultural e ambiental do município. Dezenas de organizações paulistanas estão lutando para tentar impedir que a atual prefeitura venda o Ibira, divulgando uma CARTA em que os motivos para que ele se mantenha um espaço público são enumerados. Adesões ao documento são bem vindas (podem ser enviadas para domingosleonciopereira@gmail.com ) e pedimos que divulguem a mobilização em suas redes de contato, para que a sociedade possa ter voz nesse processo, manifestando seu protagonismo nas decisões estruturais para a construção do nosso futuro coletivo.

São dois caminhos divergentes perante nossos olhos; vamos mostrar ao poder público que queremos o modelo de base ecológica, justa, solidária, em que a força do dinheiro não pode predominar sobre os direitos humanos, nem sobre a preservação da natureza!



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