Água que consumimos está contaminada por agrotóxicos, eventos debateram a questão


Publicado em 21/03 às 11h

Por Benjamin Prizendt   C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Em março, de 18 a 23, aconteceu em Brasília o “8º Fórum Mundial da Água”, com o tema “Compartilhando Água” e a presença de 150 países. Esse evento, o maior sobre recursos hídricos do planeta, foi patrocinado pela AMBEV (Companhia de Bebidas das Américas), Coca-Cola, Nestlé, ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base) e BRK Ambiental entre outros.

Para questionar a legitimidade do Fórum Mundial da Água como espaço político de debate sobre os problemas relacionados ao tema, envolvendo governos e sociedade civil, desenvolveu-se nos dias 17 a 22, em Brasília, o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA)

A nossa sessão “Cuidado Veneno!” desta edição, traz um assunto atual e muito preocupante, que foi discutido no FAMA: a contaminação da água que consumimos. A água é um recurso natural essencial à vida de todos os seres - um direito inalienável; não pode ser tratada, como querem as grandes corporações, como uma commodity a render dividendos a um grupo de investidores!

De acordo com o IBGE,  que realizou um estudo sobre o saneamento básico no Brasil, “os agrotóxicos são a segunda principal fonte de contaminação das águas brasileiras, atrás apenas do esgoto sanitário”. A contaminação da água por agrotóxicos supera inclusive outras fontes de poluição, como os despejos industriais e os rejeitos das atividades de mineração.

Neste mês de março, em que ocorreram em Brasília dois eventos fundamentais sobre o uso da água, o site  ecodebate publicou um artigo do professor Roberto Naime da Universidade Feevale. A seguir, destacamos alguns tópicos desse artigo.

Primeiramente, a informação trazida pela doutora Sílvia Brandalise, professora de Ciências Médicas da UNICAMP. Especialista em oncologia infantil, ela destaca a composição básica dos agrotóxicos (derivados de benzeno) e, por isso, extremamente prejudicial à saúde, podendo disseminar o câncer. “Os derivados de benzeno têm como ação importante a quebra de cromátides, que são elementos que compõem o cromossoma. Uma exposição aos derivados de benzeno ou à radiação, pode provocar uma mutação. O câncer e outras doenças, que são mutações sucessivas, vão acontecendo na célula cronicamente exposta a esses produtos”.

Ainda no artigo do professor Roberto Naime, vamos encontrar o depoimento de Rosany Bochner, coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). “A verdade é que chegamos a um limite. Não tem mais como falarmos apenas em diminuir ou usar outro tipo. É preciso acabar com o uso. Acreditamos que é necessário até mudar a maneira de como o Brasil lida com a produção de alimentos. Sua crítica é estendida, também, aos alimentos geneticamente modificados, por  utilizarem “muito agrotóxico para o seu cultivo, em especial a soja. Com isso, toda a soja carrega uma quantidade enorme de produtos químicos na sua composição. Sem contar que os produtores que não utilizam os transgênicos, mas possuem agricultores vizinhos que os produzem, acabam por ter suas plantações também contaminadas”.

Confirma-se, mais uma vez, a necessidade de produzir agroecologicamente, ou seja, com responsabilidade de cobrir os diversos eixos da sustentabilidade: fortalecimento econômico do produtor, a proteção do meio ambiente e a garantia da saúde de todos nós – produtores e consumidores de alimentos saudáveis.

A questão do impacto dos agrotóxicos sobre nossa saúde fica muito comprometida  pois, como afirma a Dra. Brandalise: “o SINITOX registra apenas intoxicações agudas. Contudo, com a contaminação da água, pode-se levar uma população a desenvolver uma intoxicação que será crônica. O sistema de saúde não registrará essa intoxicação como causada pelos agrotóxicos, pois ao longo do tempo é que aparecerão os problemas. Verificar esse nexo causal, provar que existe essa relação, é muito difícil”.

Como cidadãos, devemos exigir das autoridades legislativas e executivas o cumprimento de uma legislação e fiscalização das leis que regulamentam o uso dos agrotóxicos, e até a extinção deles, é essencial para que a saúde da população seja a prioridade na hora de se produzir um alimento.

 



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