Cooperapas desenvolve projeto de agroturismo ecológico na zona sul paulistana


Publicado em 26/02 às 15h

Por Mônica Ribeiro  Conexão Planeta

Conhecer a zona rural do extremo sul do município de São Paulo é uma experiência e tanto, principalmente para quem vive na área urbana da capital. E por várias razões. Porque é área remanescente de Mata Atlântica. Porque abriga cursos d’água ainda limpos, que abastecem a cidade. Porque é uma área de produção agrícola dentro do município de São Paulo. E porque lá é a base da Cooperapas, uma cooperativa de produção agrícola orgânica.

Foi Valéria Macoratti, presidente da Cooperapas, quem me contou do Projeto Acolhida, que está em desenvolvimento por oito agricultores(as) da Cooperativa. O grupo está consolidando aos poucos a possibilidade de promover Turismo de Base Comunitária na zona rural do sul de São Paulo, a partir de uma parceria com a Escola Schumacher Brasil e inspirado pela experiência de Santa Catarina – o programa Acolhida na Colônia, que oferece roteiros com hospedagem em casas de agricultores(as)  orgânicos e entende o agroturismo como parte integrante das atividades das unidades produtivas e como fator de desenvolvimento local.

A Acolhida na Colônia é uma associação criada em 1999, composta por cerca de 180 famílias de agricultores(as), integrada à Rede Accueil Paysan, atuante na França desde 1987. Está localizada no município de Santa Rosa de Lima, em Santa Catarina, e seus integrantes abrem suas casas para o convívio no dia a dia. Assim, compartilham saberes e fazeres, culturas, paisagens, oferecendo hospedagem simples, com direito a conversas na beira de fogões a lenha, fartura à mesa, alimentos frescos colhidos na horta e passeios pelo campo.

A ideia do grupo da Cooperapas, em São Paulo, é desenvolver projeto semelhante. A primeira fase já foi completada, e incluiu visitas às propriedades dos participantes, nas quais o grupo apontava o que era bom na acolhida e o que poderia ser melhorado. O próximo passo acontece agora, quando o grupo viaja até Santa Catarina para conhecer pessoalmente o Acolhida e trocar experiências.

“Estamos fazendo um projeto piloto com a Escola Schumacher Brasil, o IBEAC e a Cooperapas. Fizemos oficinas sobre decoração, apontamos pequenas coisas que podem ser melhoradas sem grandes gastos, para receber bem os hóspedes. E agora vamos conhecer o Acolhida em Santa Catarina. Lá eles tinham muito êxodo rural, e hoje tudo o que eles produzem é vendido nas propriedades, dentro do programa de agroturismo. Fazem queijos, pães, geleias, têm uma lojinha. Lá era uma região de produção de fumo. Hoje produz alimentos orgânicos”, diz Valéria.

É um privilégio para o município de São Paulo ter uma zona rural em seus limites, tão pertinho do centro urbanizado. Agricultores(as) familiares são responsáveis pelo fornecimento de cerca de 70% do que vai para a nossa mesa. E eles trabalham de domingo a domingo pra isso. Essa vivência, de “calçar seus sapatos”, ouvir e partilhar do seu dia a dia, pisar a terra, conhecer as rotinas, comer o que comem, ter acesso às suas visões de mundo, é uma experiência transformadora.  Afinal, comer pode ser um ato revolucionário!

Obs – E mais uma boa notícia: segundo Arpad Spalding, do Instituto Kairós, “A cooperativa de agricultores de Parelheiros, São Paulo, vai começar a fornecer produtos para a alimentação escolar da cidade de São Paulo. Depois de muitos anos de luta de agricultores, técnicos, instituições e universidades, finalmente teremos a inserção progressiva de alimentos orgânicos para crianças e jovens da cidade fornecidos por agricultores de dentro do município”.



ASSINE NOSSA NEWSLETTER E RECEBA PROMOÇÕES E CONTEÚDOS EXCLUSIVOS