Para inspirar 2018, uma rápida visita a Todmorden, uma cidade que é puro cultivo!


Publicado em 23/01 às 07h

Por Cláudia Visoni colaboradora do MUDA SP

Você já ouviu falar naquela cidadezinha inglesa que tem horta na delegacia, na escola, na rua, no cemitério e em todos os lugares? Já apareceu até no Jornal Nacional há alguns anos. É Todmorden (Tod para os íntimos), uma cidadezinha no norte da Inglaterra com cerca de 15 mil habitantes.

Antes de o projeto Incredible Edible começar, ela era uma cidadezinha pós-industrial decadente. Após esse projeto, tornou-se um case mundial de agricultura urbana, educação, economia local e vida comunitária.

Tive facilidade em visitá-la em um rápido passeio, porque estava bem informada. É que em 2014 havia conversado com a idealizadora do Incredible Edible, Pam Wharhurst,, em sua estada em São Paulo. Além disso, estava com minha querida amiga Juliet Hammond,  que foi consultora do projeto.

Está certo que Tod é menor do que um bairro de São Paulo, sei que não seria possível fazer um projeto assim numa cidade grande e de uma vez só. Mas se uma comunidade brasileira resolvesse “hortelar” intensamente suas ruas, praças, comércios e casas, seria  incrível e revolucionário.

Vivo mergulhada na agricultura urbana ativista paulistana e tenho bastante contato com os agricultores urbanos profissionais da cidade. Vejo que nos últimos anos evoluímos bastante. Mas acredito que ainda há muito para caminhar, sobretudo no capítulo economia solidária, justa e ambientalmente correta. Acho bem inspiradoras as experiências de Tod na valorização dos produtores locais e geração de trabalho e renda em torno do projeto sem estragar o voluntariado. 
          

Fiquei com a impressão de que eles investem 50% da energia no plantio e 50% na sinalização/divulgação do Incredible Edible. Isso faz toda a diferença! Veja bem: os canteiros estavam vazios, feios e congelados. Mesmo assim não davam impressão de abandono porque as pinturas e cartazes são lindos, coloridos, explicativos, bem feitos e duráveis. Na estação de trem você já encontra um mapa da cidade com todas as atrações “hortísticas” e um roteiro muito simpático.

Convenci-me de que nossas hortas comunitárias em São Paulo precisam ser mais visíveis e sinalizadas em suas cercanias. Milhares de pessoas todos os dias passam ao lado delas sem saber. Comecei a sonhar com parcerias entre hortelões, grafiteiros e pintores (alô povo da arte!). Já pensou se a gente consegue colorir a cidade não só com plantas, mas também com lindos painéis e placas?

O resto conto nas legendas das fotos. Quem quiser saber mais sobre como e por que começou essa história veja o TED da Pam Warhurst.



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