No mês mundial da alimentação, reforce seu apoio aos pequenos produtores!


Publicado em 23/10 às 13h

Por Susana Prizendt        C. P. C. A. P. V. e MUDA-SP

Os alimentos orgânicos estão conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e, no Brasil, também podemos verificar essa tendência. Com um crescimento acima da média de outros setores, inclusive do próprio setor alimentar, os produtos elaborados com ingredientes orgânicos estão entrando nas residências de brasileiros, que já possuem consciência dos malefícios causados pelos agrotóxicos e buscam uma alimentação mais saudável. Segundo a Euromonitor International, esse mercado brasileiro já movimenta 8 bilhões de euros ao ano!

Uma pesquisa, recém-divulgada, revela que os consumidores em nosso país, ainda não conseguem associar os produtos orgânicos, que costumam consumir, com o nome de marcas específicas, como ocorre nas demais áreas do mercado. Isso significa que ainda não há uma consolidação de empresas de referência nesse setor e que os consumidores ainda não estão fidelizados.

Atentas a esse crescimento do mercado orgânico, que é de cerca de 30% ao ano em nosso país, grandes empresas alimentícias já se movem para marcar presença dentro dele, criando linhas de produtos com alimentos cultivados organicamente. Disposta a conquistar esses consumidores, que, em geral, possuem mais poder aquisitivo, esses grandes conglomerados estão lançando produtos comestíveis de vários tipos na versão orgânica, muitas vezes elaborados de modo altamente processado ou com alto uso de embalagens.

Já é possível encontrar balas e salgadinhos com o selo orgânico, embalado em saquinhos plásticos iguais aos usados no mercado convencional. Também já podemos constatar que empresas multinacionais estão adquirindo empresas regionais menores e pioneiras no setor orgânico, visando herdar os consumidores e a credibilidade que elas conquistaram em anos e anos de trabalho. Essa concentração do mercado traz algumas ameaças à sociedade, sobretudo em relação ao risco de elitizar os produtos orgânicos, distorcer seu caráter ecológico e promover a concentração de renda que já é típica no mundo de produtos não orgânicos, gerando tantas mazelas à nossa civilização.

Nesse mês do alimento, nós, agroecologistas, convidamos a todos a promover uma reflexão essencial sobre a situação descrita neste texto. Para conseguirmos nutrir de modo saudável nossos corpos, nossos ecossistemas e nossa sociedade, não basta inserirmos produtos orgânicos em nosso dia a dia, é preciso priorizar os alimentos cultivados de modo a preservar a natureza e favorecer o comércio justo e solidário.

Vamos valorizar os pequenos produtores, os grupos locais de consumo, as espécies nativas, os alimentos in natura e livres de embalagens desnecessárias. Para se inspirar nesse percurso, assista ao vídeo recém lançado que acompanha a realização da Caravana Agroecológica de 2016.



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