Alimentos anti-inflamatórios e exercício

Publicado em 27/09 às 15h

Já está bem documentado na literatura científica que treinamentos intervalados de alta intensidade trazem inúmeros benefícios à saúde, como melhora na composição corporal, no consumo máximo de oxigênio e resistência muscular. Porém, esse tipo de treinamento também gera inúmeras adaptações fisiológicas que são importantes para a resposta adaptativa ao exercício como: o estresse oxidativo e inflamação. Contudo, se não modulado adequadamente, o estímulo desequilibrado do estresse oxidativo induzido por treinos intensos, prolongados, ou exaustivos, gera um processo inflamatório crônico que pode levar a prejuízos no desempenho esportivo e danos às células, aumentando os riscos de lesões, overtraining e overreaching, devido principalmente à falta de suporte nutricional adequado para a modulação deste quadro.

Diversos alimentos podem atuar na modulação da inflamação e dano muscular induzido pelo exercício, quando consumidos de forma equilibrada e como parte de uma alimentação saudável e orientada de acordo com as necessidades individuais de cada esportista.

GENGIBRE

O gengibre é utilizado tradicionalmente há centenas de anos, e contêm diversos compostos bioativos, como os gingeróis, zingerones e geraniol, os quais possuem capacidade anti-inflamatória, imunomoduladora, analgésica e antioxidante. Desta forma, o seu consumo diário pode contribuir para a modulação do estresse oxidativo e inflamação induzidos pelo exercício, reduzindo a dor e as lesões que o excesso de radicais livres e citocinas inflamatórias podem causar, auxiliando na manutenção da performance. Além disso, tem uma potente ação anti-hemética que pode auxiliar na redução de náuseas e enjoos que ocorrem durante treinos intensos.

PIMENTA VERMELHA

A capsaicina é um dos componentes ativos presentes na pimenta vermelha, como a malagueta e cayena, que também possui uma importante ação antioxidante e anti-inflamatória. A utilização destas pimentas na alimentação pode ajudar a reparar o dano induzido pelo estresse oxidativo provocado durante os treinamentos, reduzindo as chances de um processo inflamatório exacerbado. Uma dica é colocar as pimentas no azeiteiro e consumir esse azeite aromatizado sob preparações frias como saladas.

CHÁ VERDE

O chá verde contém as catequinas, substâncias ativas que podem melhorar a defesa antioxidante dos praticantes de atividade física, auxiliando na modulação do estresse oxidativo induzido pelo exercício, o que ajuda a atenuar lesões musculares e danos às células, o que torna a recuperação mais rápida. Estudos em praticantes de exercícios de força demonstraram que o consumo diário de chá verde melhora o dano muscular mais rapidamente, preparando o músculo para a próxima sessão de treinamento de força amenizando a queda no desempenho nesse tipo de treinamento.

 SUCO DE UVA

O suco de uva é rico em várias substâncias antioxidantes, como o resveratrol. Assim o consumo de suco de uva (especialmente o orgânico) contribuirá de maneira valiosa para aumentar a proteção antioxidante e anti-inflamatória de esportistas e atletas, ajudando na recuperação e desempenho. Uma dica é utilizá-lo para diluir suplementos, como a creatina, que necessita de carboidratos para sua melhor absorção.

 SUCO DE TOMATE

O suco de tomate (orgânico) contém grandes quantidades de licopeno, um composto bioativo com importante capacidade antioxidante, e que tem mostrado benefícios para atletas de alto nível como corredores de maratona e em treinos anaeróbios, reduzindo os níveis de marcadores de danos musculares e protegendo contra os altos níveis de radicais livres causados pelo exercício, contribuindo para a obtenção de bons resultados para a performance física. Em exercícios de alta intensidade, estudos demonstram redução dos níveis de CPK (creatinoquinase) e LDH (lactato desidrogenase) que são marcadores do dano muscular induzido pelo exercício.

 CÚRCUMA E OUTRAS ESPECIARIAS

A cúrcuma é um condimento utilizado há milênios, e é muito conhecido por sua ação anti-inflamatória e antioxidante. Assim, o seu consumo dará suporte ao sistema imunológico e antioxidante do esportista, auxiliando o organismo a se preparar para o estresse oxidativo que o treinamento causará, reduzindo a intensidade de danos musculares e inflamação, contribuindo para a recuperação e rendimento, melhorando os resultados dos treinos. Uma dica é fazer uma mistura de especiarias antioxidantes como: alecrim, sálvia, tomilho, pimenta preta, cúrcuma e cardamomo.

Dentre as especiarias podemos citar ainda a cebola e o alho, temperos básicos da gastronomia brasileira, que exercem um papel importante no sistema antioxidante e imunológico, graças ao seu rico conteúdo de nutrientes, como vitaminas complexam B, vitamina C, vitamina E, aminoácidos e ácidos graxos, bem como princípios ativos, especialmente os compostos sulfurados.

 FRUTAS VERMELHAS

As frutas vermelhas se destacam pela alta concentração de vitamina C e compostos bioativos como as antocianinas, os flavonoides e elagitaninos. Esta composição faz com que estas pequenas frutas tenham uma importante capacidade antioxidante e anti-inflamatória no organismo, e quando incluídas dentro de uma alimentação balanceada, ajudam a proteger contra danos causados pelo estresse oxidativo e a fortalecer o sistema imunológico de atletas e praticantes de atividade física. Combinam muito bem quando associadas à um suco de açaí que tem propriedades nutricionais muito similares à elas.

 ABACATE

O abacate, além de contribuir para o aporte de energia, é uma excelente fonte de “gorduras boas”, as monoinsaturadas e poli-insaturadas, e, ainda, contém vitamina E, magnésio e β-sitosterol, componentes que auxiliarão na modulação da proteção antioxidante, anti-inflamatória e do sistema imunológico, sendo uma ótima opção de fruta para indivíduos em programas de treinamento intenso. Uma dica é incluí-lo no lanche da tarde para ajudar a reduzir a fome do final do dia, pois tem uma potente ação na saciedade.

Considerações finais

É importante ressaltar que todos estes alimentos, apesar de seus benefícios na modulação do estresse oxidativo e inflamação, devem fazer parte de uma dieta equilibrada, saudável e individualizada, para que estes efeitos não desequilibrem os processos adaptativos do exercício. Procure sempre a orientação de um nutricionista funcional para a obtenção de um plano alimentar individualizado e adequado ao seu treinamento, alcançando melhores resultados no seu desempenho esportivo.

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Andréia Naves

Nutricionista e Educadora Física, atleta de CrossFit. Diretora da VP Consultoria Nutricional – uma empresa de conteúdo científico em Nutrição Clinica e Esportiva Funcional, além de Fitoterapia e Gastronomia Funcional. Esses conceitos são disseminados nos mais diferentes produtos, dentre eles: cursos de Pós-graduação lato sensu, cursos de extensão, congressos, livros, revistas, atendimento clínico e assessoria em marketing nutricional para empresas. Diplomada pelo The Institute for Functional Medicine (USA) em 2007; Membro do Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional – IBNF. Autora de diversos livros na área: Nutrição Clínica Funcional: Dos Princípios à Prática Clínica; Nutrição Clínica Funcional: Obesidade; Nutrição Clínica Funcional: Modulação Hormonal; Nutrição Clínica Funcional: Câncer.




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