Poluição ambiental e doenças neurodegenerativas


Poluição ambiental e doenças neurodegenerativas

Publicado em 23/11/2018 às 10:07



A poluição ambiental pode exercer impacto negativo em algumas doenças, como as que afetam o sistema nervoso central.  Como explicação, pesquisadores hipotetizam o papel das toxinas ambientais em marcadores inflamatórios, que prejudicam as sinalizações neurológicas e, consequentemente, aumentam o risco de problemas neurodegenerativos1,2.

Um recente estudo mostrou positiva correlação entre a poluição ambiental da região metropolitana da Cidade do México e agregação proteica em estruturas neurológicas, dado que pode desencadear processos inflamatórios que culminam em alterações cognitivas – como a doença de Alzheimer. Com esta correlação, os autores mostram que a doença de Alzheimer pode ter gatilhos iniciais nos primeiros anos de vida, especialmente quando há maior exposição a poluentes ambientais em regiões urbanas3.

Em outro estudo populacional, observou-se aumento na prevalência de Doença de Parkinson com o aumento na exposição a poluentes ambientais. Nesta análise, a exposição a dióxido de nitrogênio foi associado ao aumento de 4% na incidência desta patologia, podendo aumentar outras comorbidades associadas4.

Casos de esclerose lateral amiotrófica também são associados à exposição a toxinas ambientais. Uma análise realizada com a população holandesa indicou maior risco de desenvolvimento da doença em pacientes no maior quartil de exposição a poluentes ambientais em longo prazo. Os autores ainda sugerem ações para o combate à poluição, com regulamentações mais apropriadas à realidade da população5.

Embora os resultados sejam alarmantes, é importante ressaltar que os estudos apresentam correlação e não indicam causalidade. No âmbito nutricional, a alimentação adequada – especialmente com o consumo de vegetais, cereais, sementes e oleaginosas - desempenha importante atuação nos sistemas de destoxificação e eliminação, promovendo efetividade na excreção destas toxinas que entram em contato com o nosso organismo e, consequentemente, reduzindo estes riscos à saúde6,7.

Referências Bibliográficas

1.GODINI, R.; FALLAHI, H.; EBRAHIMIE, E. A comparative system-level analysis of the neurodegenerative diseases. J Cell Physiol; 2018. doi: 10.1002/jcp.27330.

2.DIMAKAKOU, E.; JOHNSTON, H.J.; STREFTARIS, G. et al. Exposure to environmental and occupational particulate air pollution as a potential contributor to neurodegeneration and diabetes: a systematic review of epidemiological research. Int J Environ Res Public Health; 15(8):E1704,2018.

3.CALDERÓN-GARCIDUEÑAS, L.; GÓNZALEZ-MACIEL, A.; REYNOSO-ROBLES, R. et al. Hallmarks of Alzheimer disease are evolving relentlessly in metropolitan Mexico City infants, children and young adults. APOE4 carriers have higher suicide risk and higher odds of reaching NFT stage V at ≤ 40 years of age. Environ Res; 164:475-487, 2018.

4.SHIN, S.; BURNETT, R.T.; KWONG, J.C. et al. Effects of ambient air pollution on incident Parkinson´s disease in Ontatio, 2001 to 2013: a population-based cohort study. Int J Epidemiol; 2018. doi: 10.1093/ije/dyy172.

5.SEELEN, M.; TORO CAMPOS, R.A.; VELDINK, J.H. et al. Long-term air pollution exposure and Amyotrophic Lateral Sclerosis in netherlands: a population-based case-control study. Environ Health Perspect; 125(9):097023, 2017.

6-RAUMA, P.H; KOIVUMAA-HONKANEN, H.; WILLIAMS, L.J. et al. Life satisfaction and bone mineral density among postmenopausal women: cross-sectional and longitudinal associations. Psychosom Med; 76(9):709-15,2014.

7- CANGUSSU, L.M.; NAHAS-NETO, J.; ORSATTI, C.L. et al. A randomized study on the effect of vitamin D3 supplementation on skeletal muscle function in fallers postmenopausal woman. North American Menopause Society Annual Meeting; 2015.

 


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