Importância do exercício e alimentação para pacientes com Diabetes


Importância do exercício e alimentação para pacientes com Diabetes

Publicado em 23/08/2018 às 14:51



As alterações glicídicas - como diabetes e resistência à insulina - são altamente prevalentes no Brasil e no mundo, sendo relacionadas com muitas morbidades metabólicas, como obesidade e doenças cardiovasculares1,2.

Desta forma, é crescente o número de publicações que visam encontrar estratégias eficientes para a redução do risco destas condições. Neste contexto, a atividade física exerce importante influencia nestes parâmetros, dado que o exercício favorece a transcrição do transportador de glicose (GLUT4) para a entrada de glicose nas células1,2.

Uma recente revisão sistemática meta-analítica enfatizou esta importância, com base em estudos que totalizaram 373 praticantes de atividade física. Neste estudo, os autores mostraram que a prática de exercícios por 24 semanas foi correlacionada com melhora da resistência à insulina dos pacientes3.

A alimentação saudável deve fazer parte das estratégias para a redução do risco de diabetes e resistência à insulina, em associação à pratica de exercícios. Além de fornecer todos os nutrientes essenciais para nossas reações bioquímicas vitais, a alimentação adequada também favorece o consumo de compostos bioativos que reduzem os fatores inflamatórios que, por sua vez, aumentam o risco destas alterações glicídicas4-6.

Como exemplo, podemos citar a importância das frutas ricas em antocianinas – como jabuticaba, jambolão, uvas, amora, e demais frutas vermelhas. Em uma meta-análise publicada pelo European Journal of Clinical Nutrition observou-se que o consumo de fontes de antocianinas – aproximadamente 17g de frutas vermelhas por dia - está associado a redução de 18% do risco de diabetes tipo 24.

O gengibre é outro exemplo que pode ser incorporado nas estratégias.  A partir de análises de um estudo que envolveu o consumo de gengibre por 3 meses, verificou-se redução significativa de glicemia, hemoglobina glicada e insulina, em comparação ao grupo que recebeu placebo5.

Os benefícios das brássicas também devem ser ressaltados. Um estudo conduzido com pacientes obesos e diabéticos constatou redução da glicemia de jejum e hemoglobina glicada com a administração do brócolis, justificada pela atuação dos sulforafanos na supressão da neoglicogênese6.

Portanto, atividade física e alimentação saudável são dois aliados para a redução do risco de diabetes e suas morbidades, sendo necessária avaliação criteriosa e individualizada por profissionais capacitados, para condutas seguras e eficientes.

Referências Bibliográficas:

1.POBLETE-ARO, C.; RUSSELL-GUZMÁN, J; PARRA, P. et al. Exercise and oxidative stress in type 2 diabetes mellitus. Rev Med Chil; 146(3):362-372, 2018.   

2.GREIWE, J.S.; HOLLOSZY, J.O.; SEMENKOVICH, C.F. Exercise induces lipoprotein lipase and GLUT-4 protein in muscle independente of adrenergic-receptor signaling. J Appl Physiol; 89(1):176-81, 2000.

3.SARGEANT, J.A.; GRAY, L.J.; BODICOAT, D.H. et al. The effect of exercise training on intrahepatic triglyceride and hepatic insulin sensitivity: a systematic review and meta-analysis. Obes Rev; 2018. doi: 10.1111/obr.12719. 

4.GUO, X.; YANG, B.; TAN, J. et al. Associations of dietary intakes of anthocyanins and berry fruits with risk of type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis of prospective cohort studies. European Journal of Clinical Nutriion;70(12):1360-1367, 2016.

5.SHIDFAR, F.; RAJAB, A.; REHIDEH, T. et al. The effect of ginger (Zingiber officinale) on glycemic markers in patients with type 2 diabetes. J Complement Integr Med; 12(2):165-70,2015.

6.AXELSSON, A.S.; TUBBS, E.; MECHAM, B. et al. Sulforaphane reduces hepatic glucose production and improves glucose control in patients with type 2 diabetes. Sci Transl Med; 9(394):4477, 2017.


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