Dieta mediterrânea e os efeitos no envelhecimento


Dieta mediterrânea e os efeitos no envelhecimento

Publicado em 03/07/2018 às 13:51



A dieta mediterrânea tradicional refere-se aos padrões dietéticos encontrados nas áreas de cultivo de azeitonas da região do Mediterrâneo desde os anos 1960. Baseia-se em um consumo abundante e diário de azeite – que é a principal fonte de gordura – alto consumo de hortaliças, frutas, leguminosas, grãos integrais e nozes, ingestão frequente – porém moderada – de vinho tinto, consumo moderado de frutos do mar e ovos e baixo consumo de carne vermelha e doces. Além disso, o padrão alimentar do mediterrâneo contempla também a atividade física diária e hidratação adequada. O azeite de oliva é a marca registrada deste padrão alimentar, resultando em altas ingestões de ácidos graxos monoinsaturados e menores ingestões de ácidos graxos saturados (FITÓ; KONSTANTINIDOU, 2016).

Partindo do preceito que uma alimentação saudável pode evitar a ocorrência de patologias, pesquisadores da Universidade de Edimburgo no Reino Unido descobriram que uma dieta mediterrânea pode prevenir o encolhimento do cérebro em idosos, reduzir o declínio das funções cognitivas e, assim, diminuir as chances de desenvolver doenças como Alzheimer e outras demências. Com o envelhecimento ocorre redução do número e volume das células cerebrais e isso pode afetar nossa capacidade de aprendizado e memorização. Neste sentido, esse estudo mostrou que uma dieta saudável, como a mediterrânea, é capaz de desacelerar esse processo de redução de volume cerebral (LUCIANO et al., 2017).

O estudo acompanhou a alimentação de 400 indivíduos entre 73 e 76 anos durante 3 anos. A dieta foi analisada através de questionários de frequência alimentar, nos quais os indivíduos receberam 1 ponto para cada alimento que estava dentro da dieta mediterrânea, como frutas, legumes, leguminosas, cereais e peixes. Para cada componente prejudicial como carnes e laticínios os participantes não receberam nenhuma pontuação. O consumo de gorduras monoinsaturadas e a ingestão moderada de vinho foram considerados benéficos. A pontuação (intervalo 0-9) foi calculada somando os escores de cada um dos componentes e os que apresentavam os maiores escores indicavam uma maior aderência à dieta mediterrânea. Durante o período do estudo os voluntários passaram por exames de ressonância magnética para análise do volume e espessura do córtex. Os pesquisadores concluíram que os indivíduos que seguiam uma dieta próxima à mediterrânea se mostraram menos propensos a perder o volume cerebral com o aumento da idade quando comparados àqueles que se alimentavam de outra forma (LUCIANO et al., 2017).

Outro estudo publicado em 2015 no periódico Neurology mostrou que a adesão a essa dieta pode ajudar o cérebro a rejuvenescer cinco anos. Os pesquisadores estudaram a anatomia cerebal de 674 pessoas na faixa etária dos 80 anos e perceberam que os idosos que seguiam a dieta mediterrânea tinham maior volume cerebral de massa branca e cinzenta. A substância cinzenta é responsável por executar quase todos os pensamentos conscientes e a coordenar movimentos, e a substância branca é revestida pela mielina que envolve os axônios, atuando como isolante elétrico e permitindo que as mensagens passem com maio rapidez de um ponto a outro do cérebro. Sendo assim, uma quantidade maior de massa branca e cinzenta pode significar um cérebro mais jovem e com maior atividade neuronal, consequentemente.

Seguindo ou não a dieta mediterrânea com rigor, as evidências científicas mostram que os hábitos alimentares que incluem preferencialmente alimentos in natura e que diminuem o consumo de alimentos industrializados, juntamente com um estilo de vida saudável e a prática atividade física, respeitando a individualidade bioquímica, melhoram a saúde e disposição nos jovens, impactando, consequentemente,  em um envelhecimento com mais qualidade de vida.

Para saber mais:

Referências bibliográficas:

LUCIANO, M. et al. Mediterranean-type diet and brain structural change from 73 to 76 years in a Scottish cohort. Neurology; 88(5):449-455, 2017.

FITÓ, M; KONSTANTINIDOU, V. Nutritional Genomics and the Mediterranean Diet’s Effects on Human Cardiovascular Health. Nutrients; 8 (4):218, 2016.

GU, Y. et al. Mediterranean diet and brain structure in a multiethnic elderly cohort. Neurology; 85(20):1744-51,2015.


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