Biogênese mitocondrial: link entre alimentação e exercício


Biogênese mitocondrial: link entre alimentação e exercício

Publicado em 09/03/2018 às 10:51



A mitocôndria é uma das organelas celulares mais estudadas, por ser essencial para a regulação de uma série de processos celulares, como o metabolismo energético1-3.

Sua disponibilidade é dependente de alguns estímulos externos, fisiológicos e patológicos. O exercício, por exemplo, é um importante estímulo para a biogênese mitocondrial, justificado pela demanda energética em determinados tipos de treinamentos, que predispõe ao aumento de PGC-1 alfa (co-ativador 1 alfa do receptor ativado por proliferador do peroxissoma) – componente responsável pelo aumento em massa e em quantidade de mitocôndrias no meio intracelular4.

Para verificar esta correlação, um recente estudo realizado com pacientes submetidos ao exercício de endurance, por 12 semanas, mostrou positiva correlação entre a intervenção e aumento de microRNAS que regulam a biogênese mitocondrial. Este resultado pode ser justificado pelo aumento da demanda energética durante este tipo de exercício, e pelo efeito adaptativo relacionado a pratica de atividade física5.

Em outro estudo, conduzido com 20 indivíduos submetidos a uma sessão de cicloergômetro, identificou aumento nos níveis de PGC-1 alfa após o exercício, através de análise de biopsia muscular. Este resultado reforça a importância do exercício para a modulação mitocondrial.

Além do exercício, a inclusão de alguns fitoquímicos na dieta também confere benefícios mitocondriais, através da estimulação de fatores de transcrição responsáveis pela biogênese desta organela. Neste contexto, os sulforafanos – encontrados, principalmente, em brássicas -, quercetina – que pode ser ingerida a partir de cebola, alho, frutas vermelhas, romã – e curcumina – principal fitoquímico da Curcuma longa -, ganham maior destaque em publicações que relacionam alimentação e mitocôndrias.

Portanto, a associação da prática esportiva e alimentação saudável é imprescindível para saúde celular e atividade mitocondrial.

Referências Bibliográficas:

1.CHISTIAKOV, D.A.; SOBENIN, I.A.; REVIN, V.V. et al. Mitochondrial aging and age-related dysfunction of mitochondria. Biomed Res Int; 2014:1-7,2014.

2.ROY, M.; REDDY, P.H.; LIJIMA, M. et al. Mitochondrial division and fusion in metabolism. Curr Opin Cell Biol; 33:111-8,2015.

3.GAO, A.W.; CANTÓ,C.; HOUTKOOPER, R.H. Mitochondrial response to nutrient availability and its role in metabolic disease. EMBO Mol Med; 6(5):580-589,2014.

4- ZHU, J.; WANG, K.Z.Q.; CHU, C.T. Mitochondrial biogenesis, mitophagy and cell survival. Autophagy; 9(11):1663-1676,2013.

5-BOEHLER, J.F.; HOGARTH, M.W.; BARBERIO, M.D. et al. Effect of endurance exercise on microRNAs in myositis skeletal muscle-A randomized controlled study. PLoS One; 12(8):e0183292, 2017.

6- GIDLUND, E.K.; YSFORS, M.; APPEL, S. et al. Rapidly elevated levels of PGC-1 alfa-b protein in human skeletal muscle after exercise: exploring regulatory factors in a randomized controlled trial. J Appl Physiol; 119(4):374-84, 2015.

7- GRABACKA, M.M.; GAWIN, M.; PIERZCHALSKA. M. Phytochemical modulators of mitochondria: the search for chemopreventive agents and supportive therapeutics. Pharmaceuticals; 7(9):913-42,2014.


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