Pesquisa mundial sobre a presença de agrotóxicos neonicotinoides no mel


Pesquisa mundial sobre a presença de agrotóxicos neonicotinoides no mel

Publicado em 06/12/2017 às 23:22



O mel é um alimento rico e nutritivo, presente em nossa biodiversidade. Entre suas funções as que mais se destacam são as ações antioxidante e anti-inflamatória. A abundância desse alimento está ameaça, pois nas últimas décadas as abelhas, produtoras desse alimento, estão entrando em risco de extinção, e um dos motivos é a utilização exacerbada de agrotóxicos que impactam negativamente sobre a vida desses insetos.

Um estudo publicado pela revista Science avaliou os efeitos negativos do uso dos agrotóxicos da classe neonicotinoides na saúde das abelhas. Os neonicotinoides são os inseticidas mais usados em todo o mundo. São absorvidos pelas plantas e transportados para todos as suas partes, incluindo as flores, contaminando o pólen, o néctar e qualquer fluído produzido pela planta. As abelhas dependem das fontes de néctar e pólen para sua sobrevivência, sendo o néctar transformado em mel e armazenado na colmeia para o consumo diário das abelhas adultas. No estudo em questão foi avaliada a exposição global das abelhas aos neonicotinoides e, para isso, foram analisadas 198 amostras de mel coletadas dos 5 continentes.

As análises evidenciaram a presença de pelo menos um dos cinco compostos neonicotinoides testados (acetamiprid, clothianidin, imidacloprid, thiacloprid e tiametoxam) em 75% das amostras; 45% continham dois ou mais destes compostos e 10% continham quatro ou cinco. A concentração encontrada variou entre as regiões. O imidacloprid apresentou maiores concentrações na África e na América do Sul; o thiacloprid na Europa; acetamiprid na Ásia; e thiamethoxam na Oceania e na América do Norte. Em todas as regiões pelo menos um neonicotinoide foi encontrado em, no mínimo, 25% das amostras e três neonicotinoides (tiametoxam, imidacloprid e clothianidin) foram registrados em pelos menos 50% de amostras na América do Norte.

A média de concentração total dos cinco neonicotinoides foi de 1,8 ng/g e de acordo com outros estudos essa concentração corresponde a um intervalo bioativo que pode ocasionar déficits em aprendizagem e comportamento em abelhas. Concentrações menores como de 0,10 ng/g também podem ser associadas com efeitos relevantes nas abelhas e em outros organismos não-alvo, como distúrbios de crescimento, déficit do sistema imunológico e neurológico, distúrbios cognitivos, problemas na função respiratória e reprodutiva e redução da sobrevivência da abelha rainha. De forma geral, esse estudo mostrou que as abelhas são globalmente expostas aos neonicotinoides e, na maioria das vezes, em concentrações que se mostram prejudiciais à sobrevivência das mesmas, contribuindo para o risco de sua extinção, refletindo em prejuízos incalculáveis que vão além da redução da produção de mel, incluindo impactos sobre a biodiversidade da flora que depende da polinização das abelhas.

Referência bibliográfica 

MITCHELL, E.A.D. et al. A worldwide survey of neonicotinoids in honey; Science; 358:109–111, 2017.

 


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