Consumo inadequado de fontes de ômega 3 e risco de depressão pré-natal

Consumo inadequado de fontes de ômega 3 e risco de depressão pré-natal

Publicado em 08/08 às 09h

Durante a gestação, a disponibilidade de nutrientes é fundamental para suportar todas as mudanças fisiológicas e metabólicas deste período. Dentre os nutrientes importantes para esta fase, o ômega 3 ganha evidência por ser um importante componente anti-inflamatório, sendo recomendado para a redução do risco de diversas condições que afetam a saúde bebê – como problemas cognitivos que podem prejudicar o seu desenvolvimento neurológicos1,2.

Além de beneficiar a saúde do bebê, o consumo adequado de fontes de ômega 3 também é interessante para a saúde da mãe, uma vez que sua deficiência é correlacionada com alterações neurológicas durante a gestação.   Um recente estudo realizado com gestantes mostrou positiva correlação entre baixas concentrações plasmáticas de ômega 3 – tanto EPA (ácido eicosapentaenoico) quanto DHA (ácido docosahexaenóico) – e depressão pré-natal. Nestes casos, os autores também verificaram aumento de citocinas inflamatórias, dado que pode ser associado a redução da capacidade anti-inflamatória gerada pela deficiência deste nutriente3.

Outro estudo, realizado com 135 mulheres grávidas, identificou que a qualidade do sono é influenciada por adequadas concentrações plasmáticas de ômega 3. Este resultado foi justificado pelo efeito anti-inflamatório do ômega 3, que favorece a condução dos neurotransmissores associados ao relaxamento e indução do sono4.

Os benefícios do ômega 3 para a saúde da gestante podem ser extrapolados para a redução do risco de doenças metabólicas. Uma meta-análise que incluiu 34 estudos randomizados sobre o tema indicou que o aumento no consumo de ômega 3 foi associado a redução nas concentrações de proteína C reativa – marcador inflamatório que pode refletir riscos para desfechos cardiovasculares, diabetes e obesidade5.

Desta forma, o consumo de ácidos graxos ômega 3 – tanto pela alimentação, quanto via suplementação – pode ser uma interessante estratégia para a saúde da gestante. Entretanto, é importante levar em consideração todos os aspectos da gestação de forma individual, para que a recomendação seja segura e eficaz.  

Referências Bibliográficas:

1-GERNAND, A.D.; SCHULZE, K.J.; STEWART, C.P. et al. Micronutrient deficiencies in pregnancy worldwide: health effects and prevention. Nat Rev Endocrinol; 12(5):274-89,2016.

2-SOLÉ-NAVAIS, P.; CAVALLÉ-BUSQUETS, P.; FERNANDEZ-BALLART, J.D. et al. Early pregnancy B vitamin status, one carbon metabolism, pregnancy outcome and child development. Biochimie; 126:91-6,2016.

3-CHANG, J.P.; LIN, C.Y.; SHIH, Y.H. et al. Polyunsaturated fatty acids and inflammatory markers in major depressive episodes during pregnancy. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry; 2017. doi: 10.1016/j.pnpbp.2017.05.008

4-CHRISTIAN, L.M.; BLAIR, L.M.; PORTER, K. et al. Polyunsaturated fatty acid (PUFA) status in pregnant women: associations with sleep quality, inflammation, and length of gestation. PLoS One; 11(2):e0148752,2016.

5-SACCONE, G.; SACCONE, I.; BERGHELLA, V. Omega-3 long-chain polyunsaturated fatty acids and fish oil supplementation during pregnancy: which evidence? J Matern Fetal Neonatal Med; 29(15):2389-97,2016.





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