Azeite e Diabetes


Azeite e Diabetes

Publicado em 03/07/2017 às 21:20



De acordo com dados da Federação Internacional de Diabetes e a Organização Mundial da Saúde, diabetes representa um dos problemas mais prevalentes no mundo.  Por este motivo, diversas estratégias são investigadas, com o propósito de reduzir este perfil metabólico e inflamatório que afeta a qualidade de vida de muitos indivíduos1, 2.  

            No âmbito nutricional, alguns alimentos ganham destaque. Como exemplo, os compostos presentes no azeite de oliva são amplamente estudados por seus benefícios no metabolismo glicídico, que reduzem o risco de diabetes e outras doenças correlacionadas. Uma recente revisão sistemática meta-analítica, composta por 15.784 casos de diabetes melitus tipo 2 e 29 ensaios clínicos, identificou que o consumo de azeite de oliva resultou em redução significativa de hemoglobina glicada e glicemia de jejum – parâmetros que auxiliam no diagnóstico de diabetes tipo 23.

            Este efeito pode ser justificado pela presença de compostos fenólicos no azeite de oliva, que atuam no equilíbrio do sistema antioxidante e reduzem a inflamação sistêmica. Um ensaio clínico conduzido com 11 pacientes sobrepesos, diagnosticados com diabetes tipo 2, mostrou que o consumo de azeite extra virgem – que apresenta maior concentração de compostos fenólicos em comparação ao azeite refinado – foi responsável pela redução de parâmetros metabólicos e inflamatórios, que são associados a problemas metabólicos4.

            Os benefícios do azeite de oliva também já foram estudados em casos de diabetes tipo 1 – uma desordem em que há redução na produção de insulina. Um estudo realizado em células beta pancreáticas identificou que a administração de tirosol – polifenol encontrado no azeite – reduziu marcadores de apoptose, prevenindo a morte de células responsáveis pela produção de insulina5.

            Desta forma, o azeite de oliva pode ser uma interessante estratégia para a redução do risco de diabetes. Entretanto, é importante levar em consideração a qualidade do azeite de oliva, uma vez que os benefícios estão associados, principalmente, a presença de compostos fenólicos que são encontrados em altas concentrações em sua forma extra virgem. Também é importante enfatizar que seus efeitos não são isolados, sendo imprescindível a adequação nos hábitos alimentares, para que a conduta seja eficiente.

 

Referências Bibliográficas

1-CAPORASO, N.; FORMISANO, D.; GENOVESE, A. Use of phenolic compounds from olive mil wastewater as valuable ingredients for functional foods. Crit Rev Foos Sci Nutr; 2017. doi: 10.1080/10408398.2017.1343797

2-SAIBANDITH, B.; SPENCER, J.P.E.; ROWLAND, I.R. et al. Olive polyphenols and the metabolic syndrome. Molecules; 22(7):E1082,2017.

3-SCHWINGSHACKL, L.; LAMPOUSI, A.M.; PORTILLO, M.P. et al. Olive oil in the prevention and management of type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis of cohort studies and intervention trials. Nutr Diabetes; 7(4):e262,2017.

4-SANTANGELO, C.; FILESI, C.; VARI, R. et al. Consumption of extra-virgin olive oil rich in phenolic compounds improves metabolic control in patients with type 2 diabetes mellitus: a possible involvement of reduced levels of circulating visfatin. J Endocrinol Invest; 39(11):1295-1304,2016.

5- LEE, H.; IM, S.W.; JUNG, C.H. et al. Tyrosol, an olive oil polyphenol, inhibits ER stress-induced apoptosis in pancreatic beta-cell through JNK signaling. Biochem Biophys Res Commum; 469(3):748-52,2016.