A importância de uma boa alimentação na infância


A importância de uma boa alimentação na infância

Publicado em 30/06/2017 às 14:44



A desnutrição na infância e adolescência é um dos problemas de saúde pública da atualidade. Além do aumento de risco de mortalidade, a desnutrição crônica na infância está associada com a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis que podem trazer repercussão na idade adulta. Tem sido demonstrado que crianças e adolescentes desnutridos apresentam maior prevalência de hipertensão arterial, bem como atraso no crescimento e diminuição do desempenho cognitivo.

De acordo com a última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF 2008-2009) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, a partir de 5 anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras, onde estes números aumentam à medida que a renda das famílias cresce.  O percentual de crianças acima do peso e obesas chega a 33,5% e 14%, respectivamente.

Uma questão muito importante para ser tratada é que as crianças de hoje não estão carentes de energia, mas sim de vitaminas e minerais, que resulta em uma nova forma de desnutrição na abundância. A alimentação desbalanceada, repleta de produtos industrializados, doces e refrigerantes como substituto de alimentos saudáveis é rotina de muitas crianças – e dos pais também. O consumo de alimentos industrializados virou sinônimo de “status” na população, e à medida que pais trabalham mais para ganhar mais, têm menos tempo para o preparo de uma alimentação mais saudável, recorrendo à praticidade que estes produtos oferecem.

Mas o que realmente “pesa na balança” ao fornecermos uma alimentação inadequada para as crianças? A alimentação inadequada de uma criança pode originar uma geração de adultos doentes no futuro. Vários estudos realizados com crianças mostram os efeitos de uma alimentação desequilibrada, correlacionando riscos de doenças cardiovasculares e diabetes. Além disso, o padrão alimentar adequado também pode favorecer a concentração e melhora o desempenho escolar.

De fato, a tarefa pode ser um pouco árdua, principalmente quando a criança já tem uma história de comportamento alimentar inadequado e quando os pais também possuem uma alimentação desequilibrada. Por isso, a alimentação da criança deve ser remodelada aos poucos, não deve ser baseada em proibições e restrições excessivas, mas sim, investindo em qualidade e substituições mais saudáveis, resultando no balanço positivo.

O argumento dos pais, assim como o exemplo e a aderência a uma alimentação saudável, é imprescindível ao processo. O treinamento alimentar familiar pode promover a melhoria do consumo alimentar, resultando em significantes mudanças nutricionais. Isto facilita também na hora de explicar à criança o porquê da troca, enfatizando os resultados na saúde. Elas precisam ter em mente sobre o que é saúde e os benefícios de ter uma alimentação saudável, para que fique mais fácil a adaptação e o prazer pela comida.

O efeito das pequenas mudanças na dieta pode induzir melhorias nutricionais significantes. Atitudes simples como reservar horários para a alimentação (longe da televisão) sentando à mesa com seus filhos; incluir sobremesas criativas (e bonitas) com frutas; melhorar os lanches escolares dando preferência aos alimentos levados de casa, incluindo receitas saborosas e saudáveis (como bolos com frutas, sementes e oleaginosas) são um bom começo para quem não sabe de onde partir. Um acompanhamento nutricional adequado pode ser um grande aliado nessa fase da vida, criando hábitos saudáveis desde cedo podemos garantir um futuro com mais qualidade de vida!

Referências bibliográficas:

IBGE. POF 2008-2009: desnutrição cai e peso das crianças brasileiras ultrapassa padrão internacional. Acesso em 23/02/2011. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1699&id_pagina=1.

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