Antiácidos: alívio que pode trazer consequências


Antiácidos: alívio que pode trazer consequências

Publicado em 14/03/2017 às 13:22



Os antiácidos são uma classe de medicamentos que, de fato, ajudam a aliviar o sintoma de queimação e dor, porém, seu uso contínuo traz sérias consequências ao organismo, já que tem o objetivo de tratar o sintoma, e não a causa.

O refluxo gastroesofágico, ou seja, a sensação conhecida como azia, é um sintoma decorrente do retorno dos ácidos estomacais para o tubo que conecta o estômago à boca, chamado de esôfago. Esse refluxo ocorre devido ao relaxamento do esfíncter esofagiano inferior (EEI), um músculo que tem como função controlar a passagem dos alimentos para o estômago. Neste caso, o músculo não se contrai adequadamente, permitindo o retorno do suco gástrico.

A grande maioria da população que apresenta este problema segue uma dieta bastante desequilibrada. Em muitos casos, o paciente consome quantidades elevadas de frituras, café, refrigerantes, bebidas alcoólicas e doces, além de concentrar grandes volumes de alimentos em uma única refeição. Todas essas condutas irão propiciar a diminuição da pressão do EEI, havendo, assim, o retorno do conteúdo gástrico seguido dos sintomas do refluxo.

A questão é que para a população, e grande parte dos médicos, a solução é a introdução de medicamentos antiácidos. Os antiácidos têm como função neutralizar a acidez estomacal e, com isso, proporcionam alívio imediato aos sintomas de queimação. Para muitas pessoas, essa solução imediata é mais fácil do que adotar hábitos alimentares saudáveis, retirando os alimentos comumente consumidos, que promovem a agressão da parede do estômago.

O uso prolongado de antiácidos e inibidores de bombas de prótons (como Omeprazol® e Pantoprazol®) irá gerar uma alcalinização do conteúdo gástrico, ou seja, o suco gástrico perde sua acidez e, consequentemente, há o comprometimento da digestão de proteínas, minerais como o ferro, além de vitaminas como a B12. Com a “diluição” do conteúdo gástrico, o alimento permanece por mais tempo no estômago, o que gera desconforto e sensação de empachamento. Além disso, a má digestão de proteínas favorece que macromoléculas mal digeridas penetrem pelo intestino e cheguem à corrente sanguínea, disparando a ação do sistema imunológico e o início de diversos processos inflamatórios que podem estar relacionados com a causa do refluxo.

Dessa forma, um dos passos iniciais do tratamento é investigar qual alimento pode desencadear essa resposta inflamatória. Ainda, reequilibrar a produção e concentração de ácido clorídrico estomacal e das enzimas essenciais para a digestão de todos os nutrientes através da utilização de chás digestivos como alecrim, cidreira, erva-doce, hortelã e também suco de Aloe vera, rico em enzimas digestivas e ainda com ação cicatrizante sobre a mucosa gástrica e intestinal. Finalmente, é necessária uma dieta livre de irritantes à mucosa como frituras, café, álcool, refrigerante e outros alimentos industrializados, porém, rica em alimentos fontes de nutrientes reparadores e de crescimento da mucosa como zinco, vitamina E, vitamina A, vitamina B12, ácido fólico e vitamina C.

Para a Nutrição Funcional, tratar apenas sintomas não é sinônimo de saúde. O tratamento nutricional visa eliminar a causa do problema, ou seja, devolver ao órgão o seu equilíbrio e funcionamento correto. Portanto, se você sofre de azia, queimação e má digestão, procure um profissional que poderá lhe ajudar a eliminar o seu desconforto.

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