Importância da microbiota intestinal no TDAH


Importância da microbiota intestinal no TDAH

Publicado em 18/12/2019 às 15:58



O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurodesenvolvimental comum, caracterizado por falta de atenção, hiperatividade e dificuldade em controlar impulsos. O TDAH é altamente hereditário, mas fatores ambientais estão envolvidos no desenvolvimento deste distúrbio. Assim, podem haver medidas apropriadas que ajudam a prevenir o transtorno. Evidências sugerem que a microbiota intestinal desempenha um papel fundamental no eixo da comunicação intestino-cérebro, tendo influencia no metabolismo, inflamação, eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e neurotransmissão.

Dada a importância da microbiota intestinal no desenvolvimento neurológico, um estudo realizado por pesquisadores chineses investigou o intestino humano com o objetivo de determinar se há diferenças nas microbiotas intestinais de dois grupos (51 crianças diagnosticadas com TDAH sem tratamento e 32 crianças saudáveis) e avaliar sua relação com a gravidade dos sintomas de TDAH. Para a realização do experimento foram coletadas 83 amostras de matéria fecal dos voluntários. Uma análise do nível da unidade taxonômica operacional (UTO) revelou uma diminuição significativa na representação fracionária de Faecelibacterium (bactéria comensal da flora intestinal humana) em crianças com TDAH comparado com crianças saudáveis. Assim, o estudo mostrou que há o envolvimento de alterações da microbiota em doenças psiquiátricas e que a bactéria Faecelibacterium pode representar um novo marcador potencial da microbiota intestinal no TDAH.

Com base nisso, é conclusivo que a manutenção da diversidade microbiana no início da vida é muito importante para o desenvolvimento normal do sistema nervoso central, sendo assim, é um mecanismo que pode prevenir doenças relacionadas ao desenvolvimento neural como o TDAH.

Referência bibliográfica:

JIANG, H.Y.; ZHOU, Y.Y.; ZHOU, G.L.; et al. Gut microbiota profiles in treatment-naïve children with attention deficit hyperactivity disorder. Behav Brain Res.; 347: 408-413, 2018.