Dieta acidogênica e câncer


Dieta acidogênica e câncer

Publicado em 28/11/2019 às 15:30



A acidose crônica metabólica de baixo grau é uma condição caracterizada por uma leve diminuição no pH sanguíneo. Esse fenômeno representa um dos principais desequilíbrios desencadeados pela dieta moderna. O consumo excessivo de alimentos precursores ácidos, como por exemplo carnes e cereais (fontes de fósforo e proteínas), em detrimento aos precursores de bases, como frutas e vegetais (fontes de potássio, cálcio e magnésio), leva à volubilidade do equilíbrio ácido-base1.

A carga ácida na dieta em curto prazo pode produzir um desequilíbrio ácido-base temporário, mas é rapidamente corrigido e não apresenta efeitos clínicos significativos. No entanto, se essa condição ocorrer de forma crônica e prolongada, a acidose metabólica de baixo grau pode se tornar significativa e predispor a desequilíbrios metabólicos, como formação de cálculos renais, aumento da reabsorção óssea, redução da densidade mineral óssea e perda de massa muscular, bem como a aumento do risco de doenças crônicas como diabetes mellitus tipo 2 e câncer1.

Um estudo publicado pelo International Journal of Cancer, analisou os efeitos da carga ácida dependente da dieta no desenvolvimento do câncer de mama. Para realização do experimento, os autores utilizaram dados de 43.570 participantes do Sister Study a partir de um questionário de frequência alimentar validado na matricula e para estimar a carga de ácido dependente da dieta foi aplicado o escore de carga potencial de ácido renal (PRAL). O maior consumo de proteína e fósforo refletiram em pontuações mais altas do PRAL e o maior consumo de potássio, cálcio e magnésio pontuações mais baixas. A associação entre PRAL e câncer de mama foi avaliada através da regressão multivariável de riscos proporcionais de Cox. Como resultado, os autores observaram que o risco de câncer de mama invasivo aumentou 21% no quartil mais alto de PRAL (alimentação mais acidificante), em comparação ao quartil mais baixo. No que se refere ao câncer de mama associado a receptor de estrógeno negativo, foi observado um risco 67 vezes maior no quartil mais alto de PRAL, em comparação ao quartil mais baixo. Os escores de PRAL negativos, representando o consumo de dietas com potencial alcalinizante, foram associados à diminuição do risco de câncer de mama receptor de estrógeno negativo e triplo negativo, em comparação com um escore PRAL 0 (neutro). Assim, os autores concluíram que a maior carga de ácidos dependente da dieta pode ser um fator de risco para câncer de mama, enquanto dietas alcalinizantes podem ser protetoras2

Referências bibliográficas:

  1. CARNAUBA, R.A.; BAPTISTELLA, A.B.; PASCHOAL, V.; et al. Diet-Induced Low-Grade Metabolic Acidosis and Clinical Outcomes: A Review. Nutrients; 9(6): 538, 2017.
  2. YONG-MOON, P.M.; STECK, S.E.; FUNG, T.T.; et al. Higher diet‐dependent acid load is associated with risk of breast cancer: Findings from the sister study. Int J Cancer; 144(8):1834-1843, 2019.