Ação dos probióticos na diabetes tipo 1


Ação dos probióticos na diabetes tipo 1

Publicado em 19/11/2019 às 07:24



O diabetes tipo 1 (DMT1) é uma doença autoimune caracterizada por um distúrbio da homeostase da glicose devido a uma deficiência endógena de insulina como consequência da destruição das células β pancreáticas. A hiperglicemia persistente leva ao aumento da produção de radicais livres, o que gera um aumento do estresse oxidativo. Neste contexto, a manutenção da microbiota intestinal exerce grande influência na saúde metabólica e pode reduzir ou agravar processos inflamatórios no organismo e, portanto, deve ser considerada um fator importante no controle dessas complicações. Dessa forma, estudos tem demonstrado que algumas cepas probióticas podem causar efeitos benéficos ao organismo.

O trabalho premiado em terceiro lugar no XV Congresso Internacional de Nutrição Funcional teve como objetivo investigar os efeitos de Saccharomyces boulardii em camundongos diabéticos, analisando possíveis modificações na morfologia dos hepatócitos e nos marcadores de estresse oxidativo. Para o experimento vinte e quatro camundongos foram selecionados e divididos em quatro grupos, sendo eles: controle (C), Controle + Probiótico (CP), Diabetes (DM) e Diabetes + Probióticos (DP). Os camundongos dos grupos DM e DP receberam uma única injeção intraperitoneal de STZ (150mg/kg) dissolvida em tampão de citrato, enquanto os grupos C e CP receberam uma dose do volume equivalente de tampão citrato. Durante oito semanas, os ratos dos grupos CP e DP receberam uma dose diária de Saccharomyces boulardii em 0,3 ml de água estéril e administrada por gavagem oral e os grupos controle receberam o mesmo volume de água estéril. 

Como resultado os autores observaram que os ratos do grupo DP apresentaram uma redução de 31% de glicose no sangue em comparação com o grupo DM. A análise histomorfológica mostrou que a área de hepatócitos aumentou e o número de células diminuiu nos grupos DM e DP, em comparação aos grupos C e CP. Os grupos C, CP e DP apresentaram maior porcentagem de leve congestão, enquanto os ratos diabéticos apresentaram maior porcentagem de vênulas hepáticas congestionadas graves. Com isso, os autores puderam concluir que administração de S. boulardii em camundongos diabéticos induzidos por STZ reduz o estresse oxidativo e atenua a lesão hepática induzida por diabetes.

Este trabalho foi desenvolvido na Universidade Federal de São Paulo (ICT - UNIFESP) em colaboração com a Universidade Estadual Paulista (UNESP SJC), pelos alunos e pesquisadores: Letícia dos Santos Barssotti @leebarssotti (bolsista FAPESP), Fabiana Ferreira @faah.gomez, Raquel Albuquerque @quelfalbuquerque, Ana Beatriz Brandão @aaninhabrandao, Danielle Dias, Dr. Miguel Angel Castillo Salgado, Dra. Kátia de Angelis, sob co-orientação da doutoranda Isabel Emerich e orientação da Dra. Tatiana Sousa Cunha @tati.scunha