Como a Crononutrição pode nos ajudar a envelhecer melhor


Como a Crononutrição pode nos ajudar a envelhecer melhor

Publicado em 30/08/2019 às 07:55



A Crononutrição é uma ciência que investiga a relação entre os ritmos circadianos, a nutrição e o metabolismo. Consiste que o horário das refeições está relacionado com os ritmos biológicos circadianos e com o cronotipo (fenótipo circadiano relacionado ao comportamento e período de atividade) e reflete a ideia de que o momento da ingestão de alimentos e a preferência individual preferência pelos horários de sono e atividade é tão importante quanto a quantidade e a qualidade dos alimentos.

Ao considerar o momento da alimentação, geralmente são classificados três aspectos do tempo: 1- irregularidade (isto é, a inconsistência ou rotina inconsistente da refeição), 2- frequência (o número de refeições ou ocasiões diárias) e 3- horário (tempo real de ingestão).

A disponibilidade de alimentos pode modular os relógios periféricos através dos padrões rítmicos de sinalização provocados pela ingestão alimentar, como a disponibilidade de nutrientes e liberação de hormônios. A adaptação de nossa fisiologia aos ritmos circadianos é importante para a regulação de vários processos envolvidos no envelhecimento, como os ciclos celulares, a homeostase energética, a liberação e ação de hormônios e neurotransmissores, regulação do sistema antioxidante e imunológico.

Em um estudo, indivíduos que se alimentaram no horário fora de seu período fisiológico de atividade, tinham um aumento no risco de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2, câncer e doenças cardiovasculares. Estudos experimentais em modelos animais já mostraram que a dessincronizarão central e periférica de nossa fisiologia circadiana (a qual tem seu ajuste ao meio ambiente influenciado por marcadores rítmicos, como o ciclo claro/escuro e jejum/alimentação) pode induzir ganho de peso, intolerância à glicose, resistência à insulina, deterioração do metabolismo dos ácidos graxos e da homeostase energética, fatores esses associados ao aumento no risco de doenças crônicas que reduzem a qualidade de vida e a longevidade.

Com isso, é possível concluir que uma desorganização temporal do ritmo circadiano das funções biológicas, incluindo o comportamento alimentar, gera impactos negativos à saúde e pode intensificar processos moleculares envolvidos no envelhecimento, como o estresse oxidativo, danos ao DNA e às mitocôndrias, apoptose celular.

Assim, abordagens dietéticas que considerem os preceitos da crononutrição – que visam garantir um comportamento alimentar adaptado ao relógio biológico –, auxiliam na manutenção do equilíbrio entre o meio ambiente e nosso organismo. Ainda, quando tais estratégias vão de encontro ao cronotipo, a organização biológica de nosso corpo frente a marcadores rítmicos de claro/escuro e de jejum/alimentação parece ser mais efetiva, podendo, portanto, serem utilizadas para melhorar a saúde metabólica dos idosos e para ajudar a proteger nosso organismo contra o envelhecimento precoce.

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Referências bibliográficas:

1. GERDA, K.P. Sleep and dietary habits in the urban environment: the role of chrono-nutrition. Cambridge University Press; 77(3): 189-198, 2018.

2. KESSLER, K.; PIVOVAROVA-RAMICH, O. Meal Timing, Aging, and Metabolic Health. Int. J. Mol. Sci; 20(8):1911, 2019.  

3. CIPOLLA-NETO, J.; CAMPA, A. Ritmos biológicos. AIRES, M.M. Fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. p. 17-9.

4. PARTCH, C.L.; GREEN, C.B.; Takahashi, J.S. Molecular Architecture of the Mammalian Circadian Clock. Trends in Cell Biology; 24(2):90–9, 2015.


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