Gengibre e enxaqueca


Gengibre e enxaqueca

Publicado em 06/08/2019 às 07:25



A enxaqueca é uma doença de causa multifatorial caracterizada por dor persistente, intensa e latejante causada pela constrição e dilatação das artérias e vasos que irrigam o cérebro. Considerada como uma das doenças do sistema nervoso central mais incapacitante, diversos grupos de pesquisa tem se debruçado para investigar novas estratégias de tratamento para a enxaqueca1. Dentro deste cenário, tem sido mostrado que o gengibre pode ser uma intervenção interessante para o alívio das dores de cabeça.

Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais desenvolveram um estudo duplo-cego controlado por placebo com 60 pacientes com enxaqueca admitidos em um pronto atendimento. Juntamente com o medicamento para alívio da dor (100g de cetoprofeno), os pacientes foram aleatoriamente divididos em dois grupos para receber 400mg de extrato de gengibre (5% do ingrediente ativo) ou placebo (celulose). Foi encontrado que os pacientes recebendo gengibre apresentaram melhor resposta clínica após 1 hora, 1 hora e meia e 2 horas da administração das intervenções em comparação com o placebo, com melhora acentuada da dor2. Indo de encontro com esses resultados, outro estudo, este com pacientes divididos em três grupos para receber medicamento, gengibre ou placebo mostrou que na vigência de uma crise de enxaqueca, 63% dos pacientes recebendo gengibre apresentaram alívio da dor. 

O principal mecanismo pelo qual o gengibre atua na melhora da enxaqueca é a sua importante atividade anti-inflamatória. Durante o ataque de dor, são liberados diversos mediadores inflamatórios, como citocinas e prostaglandinas. Alguns componentes do gengibre, como gingerol e shogaol, diminuem a produção desses marcadores, modulando a inflamação de células microgliais e induzindo a melhora da dor2. Apesar dos resultados promissores, devemos nos atentar sempre à resposta individual de cada paciente, avaliando quais são os possíveis gatilhos desencadeantes das crises de dor e as respostas do paciente à intervenção proposta.

Referências bibliográficas:

  1. Burstein, R.; Noseda, R.; Borsook, D. Migraine: Multiple processes, complex pathophysiology. J Neurosci; 35(17): 6619-29, 2015.
  2. Martins, L.B.; Rodrigues, A.M.D.S.; Rodrigues, D.F. et al. Double-blind placebo-controlled randomized clinical trial of ginger ( Zingiber officinale Rosc.) addition in migraine acute treatment. Cephalalgia; 39(1): 68-76, 2019.
  3. Cady, R.K.; Goldstein, J.; Nett, R. et al. A double-blind placebo-controlled pilot study of sublingual feverfew and ginger (LipiGesic™ M) in the treatment of migraine. Headache; 51(7): 1078-86, 2011.

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