Microbiota intestinal e esteatose hepática


Microbiota intestinal e esteatose hepática

Publicado em 02/08/2019 às 07:20



A esteatose hepática não alcoólica, popularmente conhecida como gordura no fígado, é considerada a doença crônica hepática mais comum em todo o mundo. Recentemente, estudos tem apontado que a interface entre alimentação e microbiota intestinal exerce um papel chave na etiologia da doença. Uma alimentação inadequada, caracterizada pelo baixo consumo de fibras e alto de gorduras saturadas (sobretudo dos ácidos láurico e palmítico), induz ao aumento da inflamação e da permeabilidade intestinal (por meio da ativação de mastócitos), possibilitando a translocação bacteriana e de subprodutos inflamatórios para a corrente sanguínea, como lipopolissacarídeos (LPS) e peptídeoglicanos. O aumento dos níveis circulantes destes, principalmente de LPS, estimula a ativação de células de Kupffer e do receptor TRL4 no fígado, e, como consequência, tem-se o aumento da secreção de citocinas pró-inflamatórias e aumento da síntese de lipídios no fígado, acompanhado da diminuição da oxidação hepática de lipídios. Em longo prazo, esse cenário leva à fibrose hepática, morte celular e aumento dos níveis circulantes de enzimas hepáticas1-3.

Portanto, estratégias nutricionais que contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal são importantes, favorecendo uma maior funcionalidade da microbiota e reduzindo a permeabilidade intestinal, a translocação bacteriana, a inflamação crônica e o risco e progressão da esteatose hepática não alcoólica.

Referências bibliográficas:

  1. Ma, J.; Zhou, Q.; Li, H. Gut Microbiota and nonalcoholic fatty liver disease: Insights on mechanisms and therapy. Nutrients; 9(10): pii: E1124, 2017.
  2. Ji, Y.; Yin, Y.; Li, Z. et al. Gut Microbiota-Derived Components and Metabolites in the Progression of Non-Alcoholic Fatty Liver Disease (NAFLD). Nutrients; 11(8): pii: E1712, 2019.
  3. Chassaing, B.; Etienne-Mesmin, L.; Gewirtz, A.T. Microbiota-liver axis in hepatic disease. Hepatology; 59(1): 328-39, 2014.

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