Consumo de camu camu e microbiota intestinal


Consumo de camu camu e microbiota intestinal

Publicado em 11/06/2019 às 07:29



O camu-camu (Myrciaria dúbia) é um fruto de coloração vermelho-arreoxeado típico do bioma Amazônia, frequente nos Estados do Pará, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima. Devido ao seu teor de fitoquímicos (principalmente flavonoides) e de vitamina C, este fruto desempenha potente atividade antioxidante e anti-inflamatória, sendo considerado por muitos como uma “super-fruta”. Por esses motivos, estudos sobre os seus efeitos na saúde tem aumentado nos últimos anos. Em humanos, é mostrado que o consumo do suco de camu-camu por 7 dias reduziu os níveis de marcadores inflamatórios (proteína C reativa e interleucinas 6 e 8) em indivíduos fumantes, que apresentam níveis superiores dos marcadores mencionados1. Outras pesquisas realizadas em modelos animais mostram que o camu-camu auxilia na redução dos níveis de lipídos sanguíneos e do peso corporal2,3.

Recentemente, foi publicado na revista Gut um estudo que avaliou o efeito do extrato de camu-camu sobre a obesidade e desordens imunometabólicas em ratos alimentados com uma dieta rica em gorduras e sucrose. Os resultados mostraram que o tratamento com camu-camu reduziu o ganho de peso, o acúmulo de gordura hepático e visceral, a inflamação e a endotoxemia, bem como melhorou parâmetros de tolerância à glicose e sensibilidade à insulina. Estes resultados foram associados ao aumento do gasto energético e mudanças acentuadas na microbiota intestinal, que incluiu o aumento da razão firmicutes/ bacteriodetes (cuja redução poderia caracterizar disbiose em indivíduos obesos) e das concentrações de Akkermansia muciniphila. Além disso, o camu-camu reduziu os níveis de ácidos biliares circulantes e alterou a composição dos mesmos, reduzindo a conjugação de ácidos biliares primários e aumentando a desconjugação de ácidos biliares secundários, o que reduz a chance de metabolização e geração de compostos tóxicos4.

Embora seja necessária a realização de estudos com humanos para comprovar os efeitos encontrados, os resultados apontam que o camu-camu pode ser uma estratégia nutricional interessante para a melhora do perfil inflamatório, sobretudo da redução da deposição de gordura hepática e visceral e do aumento de cepas anti-inflamatórias, como Akkermansia muciniphila.

Referências bibliográficas:

  1. INOUE, T.; KOMODA, H.; UCHIDA, T. et al. Tropical fruit camu-camu (Myrciaria dubia) has anti-oxidative and anti-inflammatory properties. J Cardiol; 52(2): 127-32, 2008.
  2. NASCIMENTO, O.V.; BOLETI, A.P.A.; YUYAMA, L.K.O et al. Effects of diet supplementation with Camu-camu (Myrciaria dubia) fruit in a rat model of diet-induced obesity. An Acad Bras Ciênc; 85(1): 355-363, 2013.
  3. SCHWERTZ, M.C.; MAIA, J.R.P.; SOUSA, R.F.S. et al. Efeito hipolipidêmico do suco de camu-camu em ratos. Rev Nutr; 25(1): 35-44, 2012.
  4. ANHÊ, F.F.; NACHBAR, R.T.; VARIN, T.V. et al. Treatment with camu camu (Myrciaria dubia) prevents obesity by altering the gut microbiota and increasing energy expenditure in diet-induced obese mice. Gut; pii: gutjnl-2017-315565, 2018.

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