Treinamento de força e prevenção de quedas em idosos


Treinamento de força e prevenção de quedas em idosos

Publicado em 29/04/2019 às 15:30



Representado cerca de 30-40% da nossa massa corporal total, o muscular esquelético humano é um tecido altamente adaptável a perturbações homeostáticas, como o estresse mecânico e metabólico1. Todavia, com o avanço da idade, sua integridade estrutural e funcional é comprometida, com sua taxa de degradação podendo chegar a aproximadamente 10% a cada década2,3. Juntamente com a sarcopenia, os aspectos funcionais mais deteriorados são a força, a potência e a taxa de desenvolvimento de força (TDF), comprometendo condições físicas como o equilíbrio dinâmico e estático, diminuindo a autonomia para a realização de atividades da vida cotidiana e aumentando a incidência de quedas e fraturas ósseas.

Neste sentido, quando associada a determinadas intervenções nutricionais, o treinamento de força (resistido) é uma das estratégias mais eficazes para reverter, e/ou atenuar tais processos degenerativos 2,3. Os benefícios do aumento na taxa de síntese de proteínas miofibrilares  vão desde uma melhora na regulação homeostática e metabólica do organismo como um todo, até o reestabelecimento dos aspectos funcionais acima citados. Dentre estes, especificamente os incrementos na TDF, constituem um dos mais importantes para a população idosa,  que frequentemente necessita lidar com perturbações posturais inesperadas, evitar quedas, fraturas e demais comprometimentos físicos associados.

Dentre os fatores fisiológicos determinantes da TDF, destacam-se não só a área em corte transverso das fibras, mas também a composição de isoformas de miosina de cadeia pesada, a capacidade de produção de força máxima, as propriedades visco elásticas do complexo músculo-tendões e a taxa de disparos de potenciais das unidades motoras4. Assim sendo, o desenvolvimento de tais aspectos neuromusculares são cruciais no tocante a reversão, e/ou atenuação dos mecanismos degenerativos induzidos pelo envelhecimento. Para tanto, o planejamento de treinamento deve ser prescrito de forma coerente, proporcionando de maneira segura um aumento gradativo do estresse mecânico, metabólico e do recrutamento de unidades motoras 5.

Por: Bernardo Neme Ide

Referências bibliográficas:

  1. Flück M. Functional, structural and molecular plasticity of mammalian skeletal muscle in response to exercise stimuli. J Exp Biol. 2006;209(Pt 12):2239-2248. doi:10.1242/jeb.02149
  2. Lavin KM, Roberts BM, Fry CS, Moro T, Rasmussen BB, Bamman MM. The Importance of Resistance Exercise Training to Combat Neuromuscular Aging. Physiology. 2019;34(2):112-122. doi:10.1152/physiol.00044.2018
  3. American College of Sports Medicine, Chodzko-Zajko WJ, Proctor DN, et al. American College of Sports Medicine position stand. Exercise and physical activity for older adults. Med Sci Sports Exerc. 2009;41(7):1510-1530. doi:10.1249/MSS.0b013e3181a0c95c
  4. Maffiuletti NA, Aagaard P, Blazevich AJ, Folland J, Tillin N, Duchateau J. Rate of force development: physiological and methodological considerations. Eur J Appl Physiol. 2016;116(6):1091-1116. doi:10.1007/s00421-016-3346-6
  5. Borde R, Hortobágyi T, Granacher U. Dose-Response Relationships of Resistance Training in Healthy Old Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Med. 2015;45(12):1693-1720. doi:10.1007/s40279-015-0385-9

ASSINE NOSSA NEWSLETTER E RECEBA PROMOÇÕES E CONTEÚDOS EXCLUSIVOS