Toxinas no leite materno e impactos na saúde da mãe e do bebê


Toxinas no leite materno e impactos na saúde da mãe e do bebê

Publicado em 01/03/2019 às 08:15



Mães que estão, frequentemente, expostas a toxinas podem apresentar redução na qualidade do leite materno. Este fator pode prejudicar sua saúde e a do bebê, aumentando o risco de diversas doenças1,2.

Para enfatizar este perfil, um recente estudo realizado com análises de amostras de leite de materno indicou aumento nas concentrações de pesticidas organoclorados. Esta característica foi evidente em mulheres residentes em regiões urbanas e rurais, e pode ser justificada pelo uso destas substâncias na produção agrícola, contaminando alimentos fornecidos para a população3.

Em outra análise, realizada na Costa Rica, observou-se positiva correlação entre casos de leucemia em crianças que receberam leite materno de mães que residiam em locais próximos de produção agrícola em larga escala e, portanto, apresentavam maior risco de contaminação. Entretanto, é importante ressaltar que este estudo é de correlação e, portanto, não podemos apontar causalidade4.

Alterações no crescimento também podem estar relacionadas à exposição precoce a pesticidas pelo leite materno. Um estudo realizado com 789 crianças justificou esta hipótese, ao mostrar que pesticidas organoclorados podem gerar mudanças metabólicas nas crianças, especialmente no início da vida, em que o organismo é imaturo fisiologicamente5.      

Também é importante ressaltar que esta exposição exacerbada pode influenciar na saúde da mãe, uma vez que estes compostos aumentam vias inflamatórias, que aumentam o risco de doenças - como câncer, doenças neurodegenerativas e desfechos cardiovasculares6.

Com base nestas evidências, é importante ter cautela com esta exposição, devido aos seus efeitos prejudiciais durante o aleitamento materno. Além da redução do contato com as toxinas, também é fundamental ter uma alimentação saudável – rica em nutrientes e compostos antioxidantes - para que seus efeitos nocivos sejam menos evidentes.

Referências Bibliográficas:

1-ROSEN-CAROLE, C.B.; AUINGER, P.; HOWERD, C.R. et al. Low level prenatal toxin exposures and breastfeeding duration: a prospective cohort study. Matern Child Health J.; 21(12): 2245-2255, 2017.

2-CARTIER, C.; WAREMBOURG, C.; MONFORT, C. et al. Children´s contrast sensitivity function in relation to organophosphate insecticide prenatal exposure in the mother-child PELAGIE cohort. Neurotoxicology; 67:161-168, 2018.

3-LIMON-MIRO, A.T.; ALDANA-MADRID, M.L.; ALVAREZ-HERNANDEZ, G. et al. Breast milk intake and mother to infant pesticide transfer measured by deuterium oxide dilution in agricultural and urban areas of Mexico. Chemosphere; 181:682-689, 2017.

4-HYLAND, C.; GUNIER, R.B.; METAYER, C. et al. Maternal residential pesticide use and risk of childhood leucemia in Costa Rica. Int J Cancer; 143(6): 1295-1304, 2018.

5-CRISWELL, R.; LENTERS, V.; MANDAL, S. et al. Persistent environmental toxicants in breast milk and rapid infant growth. Ann Nutr Metab; 70(3):210-216, 2017.

6-CHEN, M.W.; SANTOS, H.M.; QUE, D.E. et al. Association between organochlorine pesticide levels in breast milk and their effects on female reproduction in a taiwanese population. Int J Environ Res Public Health; 15(5):E931, 2018.

 

 


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