Sustentabilidade na mesa: entendendo os processos e caminhos dos alimentos da produção à mesa


Sustentabilidade na mesa: entendendo os processos e caminhos dos alimentos da produção à mesa

Publicado em 30/01/2019 às 08:40



Sustentabilidade é um conceito antigo, surgindo oficialmente na primeira conferência mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, na cidade de Estocolmo - Suécia, quando fenômenos naturais como mudanças climáticas, secas e outros adventos despertavam a consciência humana sobre a esgotabilidade dos recursos naturais (recursos energéticos como petróleo, madeira, etc...) e o claro impacto negativo causado ao ambiente pela exploração de tais recursos pela humanidade. Assim sendo, a sociedade precisava gerir melhor tais recursos e desenvolver planos e metas para que estes não venham a faltar e comprometer a existência de nossa espécie no futuro.

Nesta Conferência, princípios foram estabelecidos para questões ambientais, prevenção da poluição, iniciativas para abolir armas de destruição em massa, a constituição dos direitos humanos e também sobre a relação dos impactos do desenvolvimento no ambiente.

Mais tarde, em 1992, na conferência das Nações Unidas (ECO - Rio92) realizada no Brasil, este conceito se tornou mais amplo e de maior importância internacional com a assinatura de tratados, planos de ação e metas por dirigentes da maioria dos países constituintes da ONU. Apesar de continuarmos na busca de processos mais sustentáveis para o desenvolvimento da sociedade, muitos foram os avanços realizados por estas iniciativas desde seu primeiro ato na década de 70.

A partir desta última conferência internacional, o termo sustentabilidade passa a ser bem divulgado por todos os tipos de mídia, porém, ainda é utilizado de forma muito pontual até o presente, como no exemplo dos esforços para a diminuição do lançamento de gases do efeito estufa e do desmatamento.

Nestas condições, é importante entender não só toda a amplitude do conceito imbuído nesta palavra, mas principalmente ter consciência de que se trata de um processo infindável e contínuo de busca por planos, caminhos, soluções e atitudes mais sustentáveis que as praticadas anteriormente, em qualquer ação que promova melhoria na qualidade de vida do ser humano com a finalidade de preservar os recursos naturais e a própria humanidade, sejam estas a mais simples situações que vivenciamos em nossos cotidianos até as mais complexas que dependem da mudança de atitudes de toda uma sociedade.

Nesta discussão, nos apegaremos à algumas situações da sustentabilidade que estão relacionadas com a nossa alimentação, da sua produção no campo até a chegada do mesmo em nossas mesas e como lidamos com tudo que acontece neste meio tempo.

Quando passamos a buscar soluções alternativas em nosso cotidiano que promovam maior sustentabilidade em nossa alimentação, algumas perguntas sempre nos surgem... “Qual o custo ecológico deste alimento?”, “Como sabermos se estamos contribuindo para uma maior sustentabilidade ou promovendo maior impacto no ambiente quando adquirimos nossos alimentos?” ou até mesmo, “O alimento produzido em um processo mais sustentável é mais nutritivo?”.

Acho que a melhor resposta para tais perguntas está em nós mesmos e conseguimos responder melhor estas nossas indagações quando entendemos quais são os processos envolvidos na produção dos alimentos, a logística adotada nos caminhos percorridos por eles até as nossas mesas, como os utilizamos em nossas preparações e também no destino que damos aos resíduos orgânicos produzidos por estes processos todos nos seus caminhos.

Um exemplo bem simples de atitudes não sustentáveis do cotidiano de produtores rurais e também de consumidores em relação ao alimento, é o desperdício através do descarte (“lixo”) da folhagem de certos vegetais, como os exemplos da cenoura, do brócolis, da cebola, entre tantos outros. Todas estas folhagens são comestíveis e altamente nutritivas como demonstrado extensivamente em pesquisas e análises nutricionais.

Abaixo, um diagrama demonstra os possíveis caminhos que envolvem o transporte dos alimentos e aponta os mais comuns processos não-sustentáveis desenvolvidos na sua produção em sistemas convencionais e seu alto custo ecológico envolvido em sua logística e outro, apresentando processos que são desenvolvidos em sistemas naturais, biodinâmicos, agroecológicos e orgânicos (pequeno agricultores e familiar) que desenvolvem atividades mais sustentáveis desde a sua produção até a sua distribuição, conhecidos como circuitos curtos (àqueles onde o produtor disponibiliza o alimento direto ao consumidor através da venda direta em feiras livres, entrega de cestas, CSA’s, bazares e outros).

Figura1. Sistemas convencionais: Possíveis caminhos a serem percorridos pelo alimento, apontando os mais comuns processos não-sustentáveis envolvendo este alimento desde a sua fonte de produção em sistemas convencionais até a mesa do consumidor

Fonte: PINTO, L.G.P.N, 2018

Figura 2. Sistemas de circuito curto: Diagrama sistematizando o encurtamento do caminho percorrido pelo alimento desde a sua produção até a mesa do consumidor, minimizando o custo ecológico dos processos envolvidos em seus processos de produção e distribuição.

Fonte: PINTO, L.G.P.N, 2018

Sustentabilidade em casa:

É possível ser mais sustentável em nossos cotidianos através de iniciativas simples, desenvolvidas com criatividade e que demandam pouco trabalho e disposição de tempo. Na figura 3 (abaixo), alguns exemplos das mais comuns soluções desenvolvidas no ambiente domiciliar, que apesar de singelas e individuas, afetam toda a comunidade de uma maneira positiva quando tais ações colaboram para uma menor geração de resíduos (lixo) e promoção de saúde no meio ambiente por consequência.

Figura 3. Diagrama apresentando algumas soluções simples e criativas para maior sustentabilidade em casa com relação à alimentação e redução do desperdício de resíduos e materiais.

Fonte: PINTO, L.G.P.N, 2018

Referência bibliográfica:

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FERNANDES, J., GONÇALVES, G., DUARTE, A., 2016. Sustentabilidade ambiental e humana da produção de alimentos: uma análise comparativa entre agricultura biológica e convencional. Actas Portuguesas de Horticultura, n.º 25 (2016). Disponível em: < https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/8637/1/Fernandes%20et%20al%202016.pdf>.  Acesso em: 28/04/2018.

LAMEIRA, O. A., PINTO, J. E. B. P., 2008. Plantas Medicinais: do cultivo, manipulação e uso à recomendação popular. Belém. Ed. Embrapa Amazônia Oriental, Pará, 264p., 1ªed., 4ªimp., 2015.

AZEVEDO, E., Alimentos orgânicos: ampliando os conceitos de saúde humana, ambiental e social. São Paulo. Ed Senac, São Paulo, 386p. 1ªed., 2012.

 

 


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