Fitoterápicos e suas formas farmacêuticas: o que é mais eficaz?


Fitoterápicos e suas formas farmacêuticas: o que é mais eficaz?

Publicado em 29/01/2019 às 07:56



Há muitos anos, os fitoterápicos são utilizados para redução do risco de diversas doenças, gerando grande interesse por pesquisadores que visam fundamentar seus potenciais benéficos à saúde 1,2.

Para melhor eficiência, as características de cada planta precisam ser levadas em consideração, uma vez que alguns critérios ajudam na escolha da forma farmacêutica. Além das características individuais das plantas, o objetivo do paciente também ajuda a determinar a forma farmacêutica mais adequada1,2.  

As infusões e decocções – popularmente conhecidas como chás – são boas opções em alguns momentos, sendo formas mais práticas de prescrição de fitoterápicos. Para mostrar a eficiência destas formas farmacêuticas, um estudo realizado a partir dos dados da coorte NSPHS (Northern Sweden Population Health Study) correlacionou o consumo de chás com metilação de DNA, em regiões que contêm genes que interagem com o metabolismo do estradiol, podendo reduzir o risco de câncer - especialmente os que envolvem este hormônio para o seu desenvolvimento. Os autores explicam esta correlação pela presença de polifenóis em plantas utilizadas para o preparo de infusões e decocções, que foi determinada através dos questionários sobre o consumo alimentar da população estudada3.

As tinturas fitoterápicas – em que os princípios ativos são, normalmente, extraídos em álcool - também podem ser interessantes estratégias – especialmente pela facilidade de administração e custos, que podem ser menores em comparação a outras formas farmacêuticas. Como exemplo da efetividade das tinturas, um estudo realizado em modelo animal de indução de hipercolesterolemia indicou que o uso de tintura de alcachofra (Cynara scolymus) conferiu efeito antioxidante, podendo ser benéfico em estágios iniciais da aterosclerose4.

O extrato seco é um dos mais estudados, favorecendo boa estabilidade dos compostos bioativos das plantas administradas. Por este motivo, é uma das formas farmacêuticas mais utilizadas. Um recente estudo avaliou a eficiência do extrato seco da Camellia sinensis – também conhecida como chá verde - em pacientes sobrepesos e com problemas metabólicos, que foram orientados a utilizarem a planta por 6 semanas. Como resultado, os autores mostraram que a intervenção promoveu redução de 4,8% nos níveis de LDL e aumento de leptina – hormônio associado à saciedade.

Portanto, há diversas formas de administrar fitoterápicos, sendo importante o conhecimento mais específico de cada planta e condição que será priorizada no momento, para obtermos eficiência em nossas condutas.

Referências Bibliográficas:

1-KUJAWASKA, M.; de SANTAYANA, M.P. Management of medicianally useful plants by European migrants in South America. J Ethnopharmacol; 2015.

2- CARVALHO, A.C.B.; BALBINO, E.E.; MACIEL, A. et al. Situação do registro de medicamentos fitoterápicos no Brasil. Revista Brasileira de Farmacognosia; 18(2):314-319,2008.

3-Ek, WE; TOBI, E.W.; AHSAN, M. et al. Tea and coffee consumption in relation to DNA methylation in four European cohorts. Hum Mol Genet; 26(16): 3221-3231,2017.

4-CREVAR-SAKEC, M.; VUJIC, Z.; KOTUR-STEVUIJEVIC, J. et al. Effects of atorvastatin and artichoke leaf tincture on oxidative stress in hypercholesterolemic rats. Vojnosanit Pregl; 73(2):178-87, 2016.

5-HUANG, L.H.; LIU, C.Y.; WANG, L.Y. et al. Effects of green tea extract on overweight and obese women with high levels of low density lipoprotein-cholesterol (LDL-C): a randomised, double-blind, and cross-over placebo-contolled clinical trial.BMC Complement Altern Med; 18(1):294, 2018.


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