Alimento: o forte elo entre a saúde humana e sustentabilidade ambiental


Alimento: o forte elo entre a saúde humana e sustentabilidade ambiental

Publicado em 24/01/2019 às 15:40



           Atualmente, um dos desafios enfrentados pela humanidade é o de fornecer alimentos saudáveis derivados de sistemas alimentares sustentáveis. Nesse cenário, observa-se um paradoxo, pois mesmo com a crescente produção de alimentos, mais de 820 milhões de pessoas não têm comida suficiente ou possuem uma dieta de baixa qualidade.

            Diante desse desafio, a EAT-Lancet Commission, formada há três anos e composta por 37 especialistas de 16 países com experiência nas mais diversas áreas (entre elas nutrição e sustentabilidade), divulgou na revista científica The Lancet um relatório mostrando que a produção de alimentos está excedendo a capacidade do planeta e é preciso uma transformação de hábitos alimentares. Caso contrário o planeta não terá capacidade suficiente para alimentar toda a população global de 10 bilhões de pessoas em 2050. Para que isso seja possível é necessário a redução do desperdício, de pelo menos 50% do consumo de carne vermelha e açúcares, e um aumento de 50% do consumo de legumes, frutas e oleaginosas.

            Visando essa redução, entre outras estratégias, é preciso que o sistema energético reduza o lançamento de carbono o mais rápido possível, de forma que produza alimentos sem emitir gases do efeito estufa. Além disso, é necessário reduzir a perda da biodiversidade e também o uso excessivo de fertilizantes que impactam diretamente no aumento da poluição e degradação ambiental.

          No documento, os especialistas também enfatizam que apesar do aumento da produção alimentar nos últimos 50 anos ter contribuído para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global, atualmente a alimentação da população de forma geral é pobre em nutrientes como vitaminas e minerais, porém, é rica em calorias, açúcares, amidos refinados e proteína animal. Esse padrão de alimentação contribui para que mais de 3 bilhões de pessoas sofram de desnutrição.

           Segundo a Comissão, uma dieta sustentável, que consiste em aproximadamente 35% das calorias provenientes de grãos integrais e tubérculos, em ter como fonte principal de proteínas as de origem vegetal (incluindo-se apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia), e em apresentar um consumo diário de 500 gramas de vegetais e frutas, é a única forma de redução do desperdício e mudança de padrão alimentar, que tornará possível que o planeta alimente milhões de pessoas durante tantos anos. A Figura 1 representa um modelo de composição de um prato de acordo com os preceitos de uma alimentação sustentável.

 Figura 1. Exemplo da composição de alimentos no prato em uma dieta sustentável

Fonte: The EAT-Lancet Comission (2019)

           Para alcançar esse objetivo, os pesquisadores sugerem a adoção de cinco estratégias para mudar a dieta da população:

           Além disso, os autores propõem a criação de políticas públicas que incentivem a população a escolher uma alimentação mais saudável, restrições no uso de publicidade para as indústrias alimentícias e campanhas de educação.

            Nesse contexto, a Nutrição representa um importante elo entre a Saúde Humana e do Planeta e deve valorizar a Sustentabilidade, Agroecologia e a nossa Biodiversidade. Saiba mais sobre essas ações no podcast da Dra Valéria Paschoal, nutricionista e diretora da VP Centro de Nutrição Funcional.

Acesse o link abaixo e leia o relatório na íntegra:

https://eatforum.org/content/uploads/2019/01/EAT-Lancet_Commission_Summary_Report.pdf

 

 

 


ASSINE NOSSA NEWSLETTER E RECEBA PROMOÇÕES E CONTEÚDOS EXCLUSIVOS