Estresse e ganho de peso – como a alimentação pode ajudar?


Estresse e ganho de peso – como a alimentação pode ajudar?

Publicado em 14/01/2019 às 12:28



O estresse é considerado um gatilho para diversas doenças, uma vez que favorece mudanças em diversas vias metabólicas – como a obesidade, uma das doenças mais prevalentes no mundo1.

Para justificar esta correlação, estudos mostram que o cortisol – um dos principais hormônios associados ao estresse – gera alterações no metabolismo energético. Além disso, também é conhecido que o aumento crônico nos níveis de cortisol induz o aumento pelo desejo por alimentos ricos em gorduras e açúcar, dado que predispõe ao acúmulo de gordura corporal – especialmente quando o gasto energético não está equilibrado. Por outro lado, a obesidade pode aumentar as concentrações de citocinas inflamatórias que, por sua vez, podem elevar as concentrações de cortisol, pela interferência em eixo hipotalâmico e hipofisário1.

Estas duas condições podem ser melhoradas com bons hábitos alimentares. O aumento no consumo de frutas, verduras e legumes pode ser uma conduta interessante, por fornecer muitos compostos bioativos anti-inflamatórios que ajudam a reduzir a atividade do eixo de estímulo do cortisol. Ainda, estes alimentos fornecem muitos nutrientes e fibras, que ajudam a reduzir processo de adipogênese e no controle da saciedade2.

Alimentos fontes de ômega-3 – como peixes de pequeno porte e beldroega – também são sugeridos para estas duas condições. Um recente estudo realizado com 2724 participantes mostrou que o baixo nível de ômega-3 esteve associado ao estresse biológico e hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. No contexto da obesidade, o consumo de fontes de ômega-3 é sugerido para redução da diferenciação adipocitária3.

Além da alimentação saudável, técnicas de mindfulness também são propostas como uma forma de obter atenção plena em diversos critérios da vida, incluindo o momento das escolhas alimentares e redução no estresse. Um estudo realizado com mulheres sobrepesas indicou que o uso de técnicas de mindfulness, por 8 semanas, promoveu redução do estresse e gerou benefícios metabólicos4.

 Portanto, a alimentação saudável tem importante impacto nestas condições, e quando associada a outras ferramentas que ajudam na atenção plena e escolhas alimentares, os resultados podem ser mais promissores para nossos pacientes.

Referências Bibliográficas:

1-HEWAGALAMULAGE, S.D.; LEE, T.K.; CLARKE, I.J. et al. Stress, cortisol, and obesity: a role for cortisol responsiveness in identifying individuals prone to obesity. Domest Anim endocrinol; 56:Suppl: S112-20, 2016. 

2-THESING, C.S.; BOT, M.; MILANESCHI, Y. et al. Omega-3 polyunsaturated fatty acid levels and dysregulations in biological stress systems. Psychoneuroendocrinology; 97:206-215; 2018.

3-MARTINEZ-FERNÁNDEZ, L.; LAIGLESIA, L.M.; HUERTA, A.E. et al. Omega-3 fatty acids and adipose tissue function in obesity and metabolic syndrome. Prostaglandins Other Lipid Mediat; 121:24-41, 2015.

4-RAJA-KHAN, N.; AGITO, K.; SHAH, J. et al. Mindfulness-based stress reduction in women with overweight or obesity: a randomized clinical trial. Obesity; 25(8):1349-1359, 2017.


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